Dia a dia

Dermatite atópica: pode ir à piscina, à praia e tomar sol?

Dermatite atópica, piscina e sol: dá para entrar na água com cloro, ir à praia e tomar sol com alguns cuidados. Veja o antes, o depois e o protetor.

Compartilhar no WhatsApp
Mãe agachada na areia conversando com o filho pequeno na beira do mar, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro
Foto: Stella Giordano, licença Pexels (uso livre), via Pexels
Neste texto (7 partes)
  1. Quem tem dermatite atópica pode entrar na piscina?
  2. Antes e depois da piscina
  3. E a praia?
  4. Pode tomar sol com dermatite atópica?
  5. Protetor solar para quem tem dermatite atópica
  6. Calor e suor
  7. Quando procurar o médico

Sim: quem tem dermatite atópica pode, na maioria das vezes, entrar na piscina, ir à praia e pegar sol. O que faz diferença são os cuidados de antes e depois: hidratar antes, enxaguar com água doce logo que sair da água, hidratar de novo e evitar ficar suado e superaquecido. O sol ajuda a pele de muita gente, mas piora a de outras pessoas, e o cloro irrita uns e não outros. Na crise forte ou com a pele infeccionada, o melhor é dar uma pausa e conversar com o médico.

Ninguém precisa deixar de nadar ou de ir à praia por causa da dermatite. Aqui está o que as fontes dizem e como se organizar no calor do Brasil.

Quem tem dermatite atópica pode entrar na piscina?

Pode. A National Eczema Society, associação de pacientes do Reino Unido, chama a natação de um exercício "razoavelmente amigo da pele", porque não deixa a pessoa tão quente e suada, e portanto com tanta coceira. Uma revisão de 2023 sobre natação e dermatite atópica cita como vantagens suar menos, melhorar o fôlego e manter o peso saudável, e lembra que muitas crianças deixam de nadar por orientação exagerada ou por vergonha da pele (Pediatric Dermatology, 2023).

E o cloro?

A água da piscina pode irritar a pele de algumas pessoas com dermatite, e não de outras. A National Eczema Society explica que:

  • a pele tende a ressecar quando o pH da água está alto (o ideal da pele é 5,5, e o da piscina fica perto de 7,2 a 7,4);
  • o cloro também resseca, mas, como é um alvejante, seu efeito nem sempre é ruim: alguns estudos usam alvejante bem diluído para reduzir bactérias na pele com dermatite;
  • algumas pessoas têm dermatite de contato irritativa a algum produto químico da piscina, e trocar de piscina pode resolver.

O protocolo do Ministério da Saúde (PCDT, 2025) cita o banho com hipoclorito bem diluído como algo que alguns estudos sugerem, mas diz que ele deve ser indicado e acompanhado por profissional de saúde. Piscina não é tratamento.

Antes e depois da piscina

Estas dicas vêm da National Eczema Society e da Academia Americana de Dermatologia (AAD):

  • Antes, na piscina coberta: ir ao banheiro, tomar uma ducha e passar o hidratante de costume, ou um mais grosso, um pouco mais do que o normal, para fazer uma barreira contra a água.
  • Atenção na criança que está aprendendo a nadar: o hidratante deixa braços e pernas escorregadios e pode atrapalhar um salva-vidas. Nesse caso, a associação sugere pular o hidratante antes e caprichar depois.
  • Logo que sair: ducha morna ou fria para tirar o cloro, com o sabonete suave de sempre. Se a água da ducha também for da piscina, tomar banho assim que chegar em casa.
  • Secar encostando a toalha, sem esfregar, e passar mais hidratante do que o normal, com a pele ainda úmida, segundo a AAD.
  • Não ficar à toa na beira da piscina: a pele continua exposta ao cheiro de cloro.
  • Piscina nova: ficar pouco tempo na primeira vez e ver como a pele reage.

A associação britânica também orienta não nadar quando a dermatite está numa crise forte ou infeccionada. Mais sobre o banho e o sabonete em sabonete para dermatite atópica.

Menino de sunga estampada sentado na borda de uma piscina azul, de costas, com respingos de água no ar
Foto: Steward Masweneng, via Pexels

E a praia?

A água do mar não tem cloro, e a National Eczema Society cita nadar no mar ou em água doce como alternativa para quem se irrita com a piscina. O que costuma pesar na praia é o resto: sol forte, areia que arranha, sal e suor secando na pele e muitas horas fora de casa.

  • Levar uma garrafa de água doce para enxaguar o corpo quando não houver chuveiro, como sugere um dermatologista na página da AAD.
  • Sombra e pausas nas horas mais quentes.
  • Roupa de algodão, larga, para depois da água, e roupa com proteção UV para a criança que tem vergonha da pele, sugestão da National Eczema Society.

Pode tomar sol com dermatite atópica?

O sol divide as pessoas com dermatite. Um estudo italiano com 114 adultos perguntou como a pele ficou nas férias de verão: cerca de 6 em cada 10 acharam o sol bom para a pele, e 1 em cada 4 contou que a dermatite sumiu nas férias. Mas, em cerca de 4 em cada 10, o sol não ajudou ou até piorou (Ital J Dermatol Venerol, 2021). É um estudo pequeno, feito com lembranças das férias, mas mostra que não existe regra única.

Duas coisas que muita gente confunde:

  • Sol da praia não é fototerapia. A fototerapia é um tratamento com luz controlada, em dose medida, feito em clínica. O PCDT conta que ela está no SUS para outras doenças, mas não foi avaliada para dermatite atópica e não faz parte do protocolo.
  • Queimadura de sol piora qualquer pele. Pele vermelha e ardida é pele machucada.

Quem usa remédio na pele ou por boca também precisa perguntar ao médico sobre o sol. Algumas pomadas sem corticoide têm cuidados com o sol descritos na bula, que o médico explica na consulta. Veja pomada para dermatite atópica.

Infográfico dermatite atópica: piscina, praia e sol. Antes da piscina: ducha e hidratante. Depois: ducha morna ou fria, secar sem esfregar, hidratante caprichado. Na praia: água doce para enxaguar, sombra, roupa de algodão. Sol: ajuda alguns e piora outros; queimadura piora qualquer pele; protetor com filtro mineral costuma irritar menos; deu reação, fale com o médico. Calor e suor: fresco, roupa leve, enxaguar o suor. Na crise forte ou com a pele infeccionada, dê uma pausa e converse com o médico. Inchaço nos lábios ou falta de ar: ligue 192
Infográfico: Dermatite atópica · Alergias Brasil

Protetor solar para quem tem dermatite atópica

Proteger a pele do sol continua importante. A AAD e a National Eczema Society dizem que a maioria das pessoas com eczema se dá melhor com protetor de filtro físico (mineral), com óxido de zinco e/ou dióxido de titânio: ele fica na superfície da pele, costuma parecer mais fresco e irrita menos que os filtros químicos.

Outras dicas das mesmas fontes:

  • Passar o hidratante cerca de meia hora antes do protetor, para não diluir o filtro, e não exagerar no hidratante no sol.
  • Protetor resistente à água quando for nadar ao ar livre, porque o sol reflete na água.
  • Dúvida sobre qual protetor escolher: vale levar à consulta com o dermatologista, principalmente se algum já deu reação.
  • Sem perfume, como pede o PCDT para tudo o que vai na pele com dermatite.

Se a pele piora sempre no lugar onde o protetor foi passado, pode ser alergia ao produto. Leia alergia a protetor solar.

Calor e suor

No verão brasileiro, o calor costuma pesar mais que a água. O PCDT recomenda manter temperaturas amenas, principalmente à noite, e lista a coceira ao suar entre os sinais da dermatite atópica. A SBD cita o suor entre as coisas que pioram a doença. A AAD sugere:

  • roupa larga, de algodão, porque o suor seco deixa um resíduo salgado que dá coceira;
  • ducha fria assim que possível depois de suar;
  • sombra, ventilador ou ar-condicionado para não esquentar demais;
  • sabão de roupa sem perfume e sem corante, porque, no suor, um pouco do sabão passa para a pele.

Suar não é proibido: num estudo pequeno com 34 adultos, receber orientação sobre como lidar com o suor foi visto como muito útil pelos pacientes (Kaneko et al., 2017). Esporte faz bem; o que ajuda é limpar o suor logo depois. Bolinhas que aparecem com calor e somem em minutos podem ser outra coisa, como a urticária colinérgica.

Quando procurar o médico

Converse com o médico se a pele sempre piora depois da piscina, do sol ou do protetor, ou se você está em tratamento e vai passar muito tempo no sol.

Bolhinhas ou feridas redondas que aparecem de repente, com dor ou febre, podem ser eczema herpético, e a diretriz britânica NICE orienta atendimento no mesmo dia. Veja eczema herpético.

Inchaço nos lábios, na língua ou no rosto com falta de ar é emergência: ligue para o 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.

Na comunidade do Alergias Brasil, as famílias trocam dicas de verão, de protetor e de natação. Dá para aproveitar a praia e a piscina com dermatite atópica, com cuidado e informação.

Perguntas frequentes

Quem tem dermatite atópica pode entrar na piscina?

Na maioria das vezes, pode. Ajuda passar hidratante antes, tomar uma ducha logo depois e hidratar de novo. Na crise forte ou com a pele infeccionada, o melhor é dar uma pausa e conversar com o médico.

O cloro da piscina piora a dermatite atópica?

Depende da pessoa. O cloro e o pH alto da água podem ressecar a pele, e alguns têm irritação com os produtos da piscina. Outros não sentem diferença. Enxaguar logo depois e hidratar reduz o problema.

Pode tomar sol com dermatite atópica?

Pode, com proteção. O sol melhora a pele de muita gente, mas piora a de cerca de 4 em cada 10 pessoas, segundo um estudo com adultos. Queimadura sempre piora. Quem usa remédio deve perguntar ao médico sobre o sol.

Qual protetor solar usar com dermatite atópica?

A AAD e a associação britânica de eczema dizem que a maioria se dá melhor com filtro mineral, de óxido de zinco ou dióxido de titânio, sem perfume. Se algum protetor já deu reação, converse com o dermatologista.

Água do mar faz bem para dermatite atópica?

Não há prova de que trate, mas o mar não tem cloro, e a associação britânica de eczema cita nadar no mar como alternativa para quem se irrita com a piscina. Enxaguar com água doce e hidratar depois continua valendo.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.