Cuidados

Dermatite atópica no SUS: o que o protocolo de 2025 oferece

Dermatite atópica no SUS: o que o PCDT de 2025 prevê, quem tem direito a dupilumabe, upadacitinibe, ciclosporina e pomadas, e como pedir.

Compartilhar no WhatsApp
Profissional de saúde brasileiro sorrindo, de jaleco branco com estetoscópio e o símbolo do SUS na manga
Foto: Jrfotosgrand Fotografia, licença Pexels (uso livre), via Pexels
Neste texto (7 partes)
  1. O que é o PCDT de dermatite atópica
  2. Quem entra no protocolo
  3. O que o SUS oferece, por tipo de tratamento
  4. E os adultos?
  5. Como o médico avalia se o tratamento está funcionando
  6. Por onde começar no SUS
  7. Uma história de luta

O SUS trata a dermatite atópica seguindo um protocolo nacional, o PCDT, atualizado em 27 de novembro de 2025. Ele prevê pomadas e cremes para todas as idades, remédios por boca para casos moderados a graves e, para casos graves que não melhoraram com eles, dupilumabe em crianças de 6 meses a menos de 12 anos e upadacitinibe em adolescentes de 12 a menos de 18 anos. Quem decide se a pessoa se encaixa é o médico que acompanha o caso.

Aqui vai o que o protocolo diz, em linguagem simples, para você chegar à consulta sabendo o que perguntar.

O que é o PCDT de dermatite atópica

PCDT quer dizer Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. É o documento do Ministério da Saúde que define como diagnosticar, tratar e acompanhar uma doença no SUS, e quais remédios cada pessoa pode receber.

O de dermatite atópica em vigor é a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, que substituiu a versão de 2023. Ele vale para todo o país, e cabe aos estados e municípios organizar a rede e os fluxos de atendimento.

Quem entra no protocolo

Entram pessoas de qualquer idade e sexo com diagnóstico de dermatite atópica feito por critérios reconhecidos (os de Hanifin e Rajka ou os do grupo de trabalho do Reino Unido). Para cada remédio há regras extras, ligadas à idade e à gravidade, medida por escalas como EASI, SCORAD e POEM.

O que o SUS oferece, por tipo de tratamento

Tudo o que está abaixo vem do PCDT de 2025. Não é indicação de tratamento: quem escolhe é o médico, de acordo com o caso.

Cuidados com a pele

O protocolo começa pelo que não é remédio: hidratante pelo menos duas vezes ao dia e logo depois do banho, banho morno e curto, sabonete suave e roupa macia. O gel e o creme de babosa (Aloe vera) estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). Explicamos a rotina em hidratante para dermatite atópica.

Braço com manchas avermelhadas de eczema segurando um vaso de babosa
Foto: ROCKETMANN TEAM, via Pexels

Pomadas e cremes

  • Corticoides tópicos de baixa potência (dexametasona e hidrocortisona): sem restrição de idade nem de gravidade.
  • Mometasona: para maiores de 2 anos, qualquer gravidade.
  • Tacrolimo pomada: para maiores de 2 anos, qualquer gravidade. Pode ser usado em áreas sensíveis, como rosto e pescoço.

Sobre como essas pomadas funcionam, veja pomada para dermatite atópica.

Remédios por boca

  • Ciclosporina ou metotrexato: qualquer idade, dermatite moderada a grave.

E a fototerapia?

O tratamento com luz ultravioleta aparece nas diretrizes internacionais para dermatite moderada a grave. O PCDT de 2025 explica que a fototerapia existe no SUS para outras doenças, mas não foi avaliada para dermatite atópica e por isso não faz parte deste protocolo.

Remédios mais novos

  • Dupilumabe: crianças de 6 meses a menos de 12 anos, com dermatite grave, que tiveram falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato.
  • Upadacitinibe: adolescentes de 12 a menos de 18 anos, com pelo menos 40 kg, dermatite grave e falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato.

Quem começa um desses remédios continua tendo acesso a todo o resto que o protocolo oferece.

Infográfico do que o PCDT de 2025 prevê no SUS por idade: hidrocortisona e dexametasona em qualquer idade; mometasona e tacrolimo pomada a partir de 2 anos; ciclosporina ou metotrexato em qualquer idade, na forma moderada a grave; dupilumabe de 6 meses a menos de 12 anos e upadacitinibe de 12 a menos de 18 anos, nos casos graves; e o caminho UBS, especialista e Secretaria de Saúde
Infográfico: Dermatite atópica · Alergias Brasil

E os adultos?

No quadro de opções do PCDT de 2025, os adultos têm acesso aos corticoides tópicos, ao tacrolimo, à ciclosporina e ao metotrexato. Dupilumabe e upadacitinibe aparecem no protocolo só para crianças e adolescentes, nas faixas de idade acima. Para adultos com dermatite moderada a grave, a Conitec avaliou esses e outros remédios novos em 2024 e recomendou não incorporar, principalmente pelo custo, decisão publicada na Portaria SECTICS/MS nº 53, de 24/10/2024 (Relatório Conitec nº 930).

Por isso, adultos com dermatite grave que não melhoram com o que o SUS oferece costumam buscar outros caminhos, como o plano de saúde. Vale conversar com o dermatologista sobre as opções do seu caso.

Como o médico avalia se o tratamento está funcionando

O PCDT usa as metas do consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Em resumo, depois de 3 meses espera-se que o EASI (uma nota para a extensão e a gravidade das lesões) caia pelo menos pela metade; depois de 6 meses, que caia 75% ou fique em 7 ou menos. Também entram na conta a coceira, o sono e a qualidade de vida.

Para ajudar o médico, anote entre as consultas:

  • noites mal dormidas por causa da coceira;
  • crises: quando começaram, onde e o que pode ter piorado;
  • o que foi usado e como a pele respondeu;
  • faltas na escola ou no trabalho.

Por onde começar no SUS

  1. Unidade Básica de Saúde (UBS): é a porta de entrada. O PCDT dá à atenção primária o papel de identificar a doença cedo e encaminhar quando preciso.
  2. Encaminhamento ao especialista: o protocolo prevê que pessoas com dermatite atópica sejam atendidas, de preferência, em serviços de dermatologia e alergologia. Ele cita como motivos para encaminhar: dúvida no diagnóstico, dermatite moderada ou grave que não responde, pele afinada pelo uso de corticoide, preocupação com a quantidade de corticoide, suspeita de dermatite de contato e suspeita de alergia alimentar.
  3. Pedido do remédio: o especialista avalia se você se encaixa nos critérios. A Secretaria de Saúde do seu estado ou município informa onde e como o remédio é retirado, porque cada lugar organiza seu fluxo.

Os códigos da doença na CID-10, que aparecem em laudos e pedidos, são L20.0 (prurigo de Besnier) e L20.8 (outras dermatites atópicas), segundo o PCDT. Veja também CID da dermatite atópica.

O protocolo também lista na tabela do SUS os testes que ajudam a separar a dermatite atópica de outras doenças: o teste de contato (patch test) e o teste cutâneo de leitura imediata (prick test).

Uma história de luta

O protocolo nacional veio depois de pedidos dos médicos. Em 2022, a SBP, a SBD e a ASBAI publicaram uma carta conjunta pedindo o PCDT e acesso aos imunobiológicos. Há também uma associação de pacientes, a AADA, que reúne informação para famílias.

Se você está tentando conseguir tratamento, na comunidade do Alergias Brasil dá para trocar experiência com quem já passou pelo processo no seu estado.

Perguntas frequentes

O SUS fornece dupilumabe para dermatite atópica?

Sim, pelo PCDT de 2025, para crianças de 6 meses a menos de 12 anos com dermatite grave que não melhoraram, não toleraram ou não podem usar ciclosporina ou metotrexato. Quem avalia se a criança se encaixa é o especialista.

Upadacitinibe é dado pelo SUS?

Pelo protocolo, sim, para adolescentes de 12 a menos de 18 anos, com pelo menos 40 kg e dermatite grave, depois de falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato.

Adulto com dermatite atópica grave consegue imunobiológico pelo SUS?

No PCDT de 2025, as opções para adultos são as pomadas, o tacrolimo, a ciclosporina e o metotrexato. Os imunobiológicos aparecem só para crianças e adolescentes. Converse com o dermatologista sobre outros caminhos.

Qual é o CID da dermatite atópica?

O PCDT usa L20.0 (prurigo de Besnier) e L20.8 (outras dermatites atópicas), da CID-10.

Por onde começo para tratar dermatite atópica no SUS?

Pela UBS. De lá, o médico pode encaminhar para o dermatologista ou o alergista, que avalia a gravidade e os remédios do protocolo.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.