Neste texto (7 partes)
O SUS trata a dermatite atópica seguindo um protocolo nacional, o PCDT, atualizado em 27 de novembro de 2025. Ele prevê pomadas e cremes para todas as idades, remédios por boca para casos moderados a graves e, para casos graves que não melhoraram com eles, dupilumabe em crianças de 6 meses a menos de 12 anos e upadacitinibe em adolescentes de 12 a menos de 18 anos. Quem decide se a pessoa se encaixa é o médico que acompanha o caso.
Aqui vai o que o protocolo diz, em linguagem simples, para você chegar à consulta sabendo o que perguntar.
O que é o PCDT de dermatite atópica
PCDT quer dizer Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. É o documento do Ministério da Saúde que define como diagnosticar, tratar e acompanhar uma doença no SUS, e quais remédios cada pessoa pode receber.
O de dermatite atópica em vigor é a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, que substituiu a versão de 2023. Ele vale para todo o país, e cabe aos estados e municípios organizar a rede e os fluxos de atendimento.
Quem entra no protocolo
Entram pessoas de qualquer idade e sexo com diagnóstico de dermatite atópica feito por critérios reconhecidos (os de Hanifin e Rajka ou os do grupo de trabalho do Reino Unido). Para cada remédio há regras extras, ligadas à idade e à gravidade, medida por escalas como EASI, SCORAD e POEM.
O que o SUS oferece, por tipo de tratamento
Tudo o que está abaixo vem do PCDT de 2025. Não é indicação de tratamento: quem escolhe é o médico, de acordo com o caso.
Cuidados com a pele
O protocolo começa pelo que não é remédio: hidratante pelo menos duas vezes ao dia e logo depois do banho, banho morno e curto, sabonete suave e roupa macia. O gel e o creme de babosa (Aloe vera) estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). Explicamos a rotina em hidratante para dermatite atópica.

Pomadas e cremes
- Corticoides tópicos de baixa potência (dexametasona e hidrocortisona): sem restrição de idade nem de gravidade.
- Mometasona: para maiores de 2 anos, qualquer gravidade.
- Tacrolimo pomada: para maiores de 2 anos, qualquer gravidade. Pode ser usado em áreas sensíveis, como rosto e pescoço.
Sobre como essas pomadas funcionam, veja pomada para dermatite atópica.
Remédios por boca
- Ciclosporina ou metotrexato: qualquer idade, dermatite moderada a grave.
E a fototerapia?
O tratamento com luz ultravioleta aparece nas diretrizes internacionais para dermatite moderada a grave. O PCDT de 2025 explica que a fototerapia existe no SUS para outras doenças, mas não foi avaliada para dermatite atópica e por isso não faz parte deste protocolo.
Remédios mais novos
- Dupilumabe: crianças de 6 meses a menos de 12 anos, com dermatite grave, que tiveram falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato.
- Upadacitinibe: adolescentes de 12 a menos de 18 anos, com pelo menos 40 kg, dermatite grave e falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato.
Quem começa um desses remédios continua tendo acesso a todo o resto que o protocolo oferece.

E os adultos?
No quadro de opções do PCDT de 2025, os adultos têm acesso aos corticoides tópicos, ao tacrolimo, à ciclosporina e ao metotrexato. Dupilumabe e upadacitinibe aparecem no protocolo só para crianças e adolescentes, nas faixas de idade acima. Para adultos com dermatite moderada a grave, a Conitec avaliou esses e outros remédios novos em 2024 e recomendou não incorporar, principalmente pelo custo, decisão publicada na Portaria SECTICS/MS nº 53, de 24/10/2024 (Relatório Conitec nº 930).
Por isso, adultos com dermatite grave que não melhoram com o que o SUS oferece costumam buscar outros caminhos, como o plano de saúde. Vale conversar com o dermatologista sobre as opções do seu caso.
Como o médico avalia se o tratamento está funcionando
O PCDT usa as metas do consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Em resumo, depois de 3 meses espera-se que o EASI (uma nota para a extensão e a gravidade das lesões) caia pelo menos pela metade; depois de 6 meses, que caia 75% ou fique em 7 ou menos. Também entram na conta a coceira, o sono e a qualidade de vida.
Para ajudar o médico, anote entre as consultas:
- noites mal dormidas por causa da coceira;
- crises: quando começaram, onde e o que pode ter piorado;
- o que foi usado e como a pele respondeu;
- faltas na escola ou no trabalho.
Por onde começar no SUS
- Unidade Básica de Saúde (UBS): é a porta de entrada. O PCDT dá à atenção primária o papel de identificar a doença cedo e encaminhar quando preciso.
- Encaminhamento ao especialista: o protocolo prevê que pessoas com dermatite atópica sejam atendidas, de preferência, em serviços de dermatologia e alergologia. Ele cita como motivos para encaminhar: dúvida no diagnóstico, dermatite moderada ou grave que não responde, pele afinada pelo uso de corticoide, preocupação com a quantidade de corticoide, suspeita de dermatite de contato e suspeita de alergia alimentar.
- Pedido do remédio: o especialista avalia se você se encaixa nos critérios. A Secretaria de Saúde do seu estado ou município informa onde e como o remédio é retirado, porque cada lugar organiza seu fluxo.
Os códigos da doença na CID-10, que aparecem em laudos e pedidos, são L20.0 (prurigo de Besnier) e L20.8 (outras dermatites atópicas), segundo o PCDT. Veja também CID da dermatite atópica.
O protocolo também lista na tabela do SUS os testes que ajudam a separar a dermatite atópica de outras doenças: o teste de contato (patch test) e o teste cutâneo de leitura imediata (prick test).
Uma história de luta
O protocolo nacional veio depois de pedidos dos médicos. Em 2022, a SBP, a SBD e a ASBAI publicaram uma carta conjunta pedindo o PCDT e acesso aos imunobiológicos. Há também uma associação de pacientes, a AADA, que reúne informação para famílias.
Se você está tentando conseguir tratamento, na comunidade do Alergias Brasil dá para trocar experiência com quem já passou pelo processo no seu estado.
Fontes
- Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025)
- SBP. Carta conjunta SBP, SBD e ASBAI sobre o PCDT de dermatite atópica (2022)
- AADA. Associação de Apoio à Dermatite Atópica
- Conitec. Relatório de Recomendação nº 930: abrocitinibe, baricitinibe, dupilumabe e upadacitinibe para adultos com dermatite atópica (2024)
Perguntas frequentes
O SUS fornece dupilumabe para dermatite atópica?
Sim, pelo PCDT de 2025, para crianças de 6 meses a menos de 12 anos com dermatite grave que não melhoraram, não toleraram ou não podem usar ciclosporina ou metotrexato. Quem avalia se a criança se encaixa é o especialista.
Upadacitinibe é dado pelo SUS?
Pelo protocolo, sim, para adolescentes de 12 a menos de 18 anos, com pelo menos 40 kg e dermatite grave, depois de falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato.
Adulto com dermatite atópica grave consegue imunobiológico pelo SUS?
No PCDT de 2025, as opções para adultos são as pomadas, o tacrolimo, a ciclosporina e o metotrexato. Os imunobiológicos aparecem só para crianças e adolescentes. Converse com o dermatologista sobre outros caminhos.
Qual é o CID da dermatite atópica?
O PCDT usa L20.0 (prurigo de Besnier) e L20.8 (outras dermatites atópicas), da CID-10.
Por onde começo para tratar dermatite atópica no SUS?
Pela UBS. De lá, o médico pode encaminhar para o dermatologista ou o alergista, que avalia a gravidade e os remédios do protocolo.