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Síndrome látex-fruta: quais frutas, sintomas e diagnóstico

Síndrome látex-fruta: por que quem tem alergia ao látex pode reagir a banana, abacate, kiwi e mamão, e o que perguntar ao alergista.

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Banca da feira livre de Jacobina, na Bahia, com banana, mamão e outras frutas penduradas
Foto: Motta0520, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Neste texto (7 partes)
  1. O que é a síndrome látex-fruta
  2. Síndrome látex-fruta: quais frutas
  3. Quanto ela é comum
  4. Sintomas da síndrome látex-fruta
  5. Quem tem mais risco
  6. Como é feito o diagnóstico
  7. Rótulo: o látex aparece, a fruta não

A síndrome látex-fruta é quando uma pessoa com alergia ao látex da seringueira também reage a certas frutas e vegetais, como banana, abacate, kiwi e mamão. Isso acontece porque algumas proteínas dessas frutas são parecidas com as do látex, e o sistema imune confunde uma com a outra. Segundo a ASBAI, ela pode atingir de 30% a 50% das pessoas alérgicas ao látex.

É um tema pouco falado, mas muito útil para quem já sabe que tem alergia ao látex, e também para quem reage a várias frutas e ainda não sabe por quê.

O que é a síndrome látex-fruta

O látex natural é a seiva da seringueira, a árvore da borracha. Ele tem várias proteínas que podem causar alergia. Algumas frutas têm proteínas de defesa muito parecidas com elas.

Uma revisão clássica sobre a síndrome explica que o principal suspeito é um grupo de proteínas das plantas chamado quitinases de classe I, que lembram a heveína, uma das proteínas mais importantes do látex. Quando o corpo já produz anticorpos contra o látex, esses anticorpos podem reconhecer a proteína da fruta também. É a chamada reação cruzada. A revisão de 2024 sobre a síndrome acrescenta que outras proteínas do látex, como as profilinas e as proteínas de transferência de lipídeos (LTP), também podem participar.

Segundo a pesquisa de doutorado feita na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e contada pelo Jornal da USP em 2019, quem é alérgico à borracha pode ter ou desenvolver depois alergia a frutas como mamão, figo e banana.

O caminho contrário é menos comum. O Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, da SBP e da ASBAI, estima que só cerca de 11% das pessoas que reagem a essas frutas desenvolvem alergia ao látex.

Síndrome látex-fruta: quais frutas

As frutas mais citadas mudam um pouco de fonte para fonte, mas algumas aparecem sempre:

  • Banana
  • Abacate
  • Kiwi
  • Mamão
  • Castanha (a castanha portuguesa)
  • Maracujá, citado pelo Consenso Brasileiro entre as frutas mais clássicas da síndrome

A revisão de 2024 sobre os 30 anos de pesquisa da síndrome aponta banana, abacate, kiwi e mamão como as frutas mais frequentes, e a banana foi a mais comum em 9 dos 14 estudos analisados.

Outras fontes também citam:

Uma coisa importante: estar na lista não quer dizer que a pessoa vai reagir a todas essas frutas. Cada caso é diferente, e só o alergista consegue dizer quais merecem cuidado para você.

Infográfico síndrome látex-fruta, quais frutas: de 30% a 50% dos alérgicos ao látex podem reagir a frutas. As mais citadas são banana (a mais comum em 9 de 14 estudos), abacate, kiwi e mamão; também aparecem castanha portuguesa, pêssego, figo, tomate, batata, melão e mandioca. Estar na lista não quer dizer reagir a todas
Infográfico: Frutas e látex · Alergias Brasil

Quanto ela é comum

Os números variam muito. Na revisão de 2024, a frequência da síndrome entre alérgicos ao látex foi de 4% a 88%, conforme o país, o tamanho do estudo e o jeito de diagnosticar. A faixa mais citada, de 30% a 50%, aparece na ASBAI, no Consenso Brasileiro e na WAO.

No Brasil, os dados são poucos e vêm de grupos específicos. Num estudo no Rio de Janeiro com crianças com mielomeningocele, 14 de 30 (46,6%) tinham anticorpos contra o látex e 4 de 29 (13,7%) contra a banana, numa amostra pequena.

Não é a mesma coisa que a síndrome pólen-fruta

Existe outra reação cruzada parecida, entre pólen e frutas cruas, que costuma dar coceira e inchaço só na boca (a síndrome da alergia oral). Segundo o Consenso Brasileiro, ela é bastante frequente na Europa, mas raramente descrita no Brasil. Quem separa uma da outra é o alergista.

Fatias de kiwi lado a lado
Foto: AS Photography, via Pexels

Sintomas da síndrome látex-fruta

Depois de comer a fruta, podem aparecer:

  • Coceira ou formigamento na boca e na garganta.
  • Vergões vermelhos e coceira na pele.
  • Inchaço de lábios, olhos ou rosto.
  • Vômito, dor de barriga ou diarreia.
  • Chiado, tosse ou falta de ar.

Nem sempre fica só na boca. Na revisão de 2024, 73% dos sintomas relatados com frutas nessas pessoas atingiram o corpo, e não só a boca.

Sinais de emergência

Falta de ar, voz rouca, garganta fechando, inchaço na língua, tontura, desmaio ou vômitos repetidos depois de comer uma fruta (ou depois de contato com látex) pedem ajuda na hora: ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro. Saiba mais em anafilaxia.

Quem tem mais risco

Os grupos com mais alergia ao látex são também os que mais aparecem com a síndrome látex-fruta. A ASBAI cita:

  • Profissionais de saúde, pelo uso frequente de luvas.
  • Pessoas que passaram por muitas cirurgias, principalmente desde a infância, como crianças com mielomeningocele.
  • Trabalhadores da indústria da borracha.

Explicamos melhor em alergia ao látex.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é com o alergista. Ele junta a história (o que você comeu, o que tocou, quanto tempo depois veio a reação) com exames como teste cutâneo, IgE no sangue e, quando faz sentido, teste de provocação em ambiente preparado.

A revisão de 2024 defende testar várias frutas e, quando possível, usar exames que olham proteína por proteína, porque ajudam a entender de onde vem a reação.

O que perguntar ao alergista

Leve para a consulta:

  • Quais frutas já deram reação, e como foi cada uma.
  • Se já houve reação com luva, balão, camisinha ou em dentista e cirurgia.
  • Quais frutas da lista você come sem problema.
  • O que fazer se acontecer uma reação, de preferência por escrito.
  • Se vale avisar no hospital, no dentista e na escola sobre o látex.
Mamões maduros, um deles aberto com a polpa laranja
Foto: Nishant Aneja, via Pexels

Rótulo: o látex aparece, a fruta não

A RDC 727/2022 da Anvisa, que hoje reúne as regras de rótulo de alimentos e substituiu a antiga RDC 26/2015, mantém o látex natural na lista de alergênicos que precisam aparecer no aviso "Alérgicos: contém". Mas as frutas não estão na lista. Banana, abacate, kiwi e mamão aparecem só na lista de ingredientes. Por isso, quem tem a síndrome precisa ler os ingredientes com calma, principalmente de papinhas, vitaminas, bolos, sorvetes e barrinhas.

Para a banana em especial, veja alergia a banana.

Perguntas frequentes

O que é a síndrome látex-fruta?

É quando quem tem alergia ao látex reage também a algumas frutas, porque elas têm proteínas parecidas com as do látex.

Quais frutas fazem parte da síndrome látex-fruta?

As mais citadas são banana, abacate, kiwi, mamão e castanha portuguesa; o Consenso Brasileiro inclui também o maracujá. Aparecem ainda pêssego, figo, melão, tomate, batata, pimentão e, com menos estudos, mandioca. Ninguém reage a todas: quem avalia é o alergista.

Quem tem alergia ao látex pode comer banana?

Depende de cada pessoa. Muitas comem sem problema, outras reagem. Converse com o alergista sobre quais frutas merecem cuidado no seu caso.

A síndrome látex-fruta pode ser grave?

Pode. A reação nem sempre fica só na boca. Falta de ar, garganta fechando ou desmaio: ligue 192.

Tem tratamento?

O que as fontes descrevem é evitar o látex e as frutas que causam reação, com um plano por escrito combinado com o alergista para o caso de reação.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.