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Alergia a salmão: é alergia a peixe? E o sushi?

Alergia a salmão é uma forma de alergia a peixe. Veja por que alguns reagem só a salmão, outros a vários peixes, e o que considerar no sushi.

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Filé de salmão cru sobre papel, numa tábua de madeira
Foto: Caroline Attwood, licença Unsplash (uso livre), via Unsplash
Neste texto (7 partes)
  1. O que causa a alergia a salmão
  2. Quem tem alergia a salmão tem alergia a todos os peixes?
  3. Como saber quais peixes eu tolero
  4. Sintomas e quando ligar 192
  5. Sushi e temaki: o que considerar
  6. Salmão no rótulo e em outros produtos
  7. Salmão ou camarão?

Alergia a salmão é uma forma de alergia a peixe. Muitas pessoas que reagem ao salmão reagem também a outros peixes, porque a proteína principal, a parvalbumina, é parecida entre as espécies. Mas há quem reaja só ao salmão e à truta. Saber quais peixes você tolera depende de avaliação com o alergista, e no sushi ainda entram o peixe cru, outros frutos do mar e o parasita Anisakis.

O que causa a alergia a salmão

Como em toda alergia a peixe, a reação costuma ser do tipo mediado por IgE, que costuma aparecer logo ou nas primeiras duas horas depois de comer, segundo o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, da SBP e da ASBAI e o consenso italiano sobre alergia a peixe (2023).

A proteína principal é a parvalbumina. Ela resiste ao calor e aguenta o cozimento, segundo um estudo de 2023 sobre os alérgenos do peixe. Por isso salmão grelhado, assado ou cozido continua causando reação em quem tem alergia, assim como o cru.

Quem tem alergia a salmão tem alergia a todos os peixes?

Infográfico alergia a salmão e sushi: 59% dos alérgicos à parvalbumina reagiram a vários peixes, 41% toleraram uma ou mais espécies e 15% reagiam só a salmão e truta; a parvalbumina resiste ao calor. No sushi, atenção ao peixe cru, ao balcão com a mesma tábua e faca, ao kani (pasta de peixe), a molhos e caldos com peixe, ao óleo da fritura e ao Anisakis. Quais peixes você tolera, quem diz é o alergista; 192 nos sinais graves
Infográfico: Peixe · Alergias Brasil

Nem sempre. Segundo a revisão de Dijkema e colegas sobre alergia a peixe:

  • entre pessoas alérgicas à parvalbumina, 59% reagiram a vários peixes e 41% toleraram uma ou mais espécies;
  • numa série de 62 pacientes, 15% (9 pessoas) reagiam só aos salmonídeos, o grupo do salmão e da truta.

Ou seja, há quem tenha alergia "só a salmão", mas é a minoria. E não dá para descobrir isso por conta própria.

E o atum?

A mesma revisão de Dijkema mostra que o atum tem bem pouca parvalbumina (menos de 0,05 mg por grama, contra bem mais no salmão). O consenso italiano sobre alergia a peixe (2023) explica que atum e peixe-espada têm carne mais escura, com menos parvalbumina, e que o enlatamento muda essa proteína e reduz a capacidade de causar alergia; por isso o atum em lata costuma ser o primeiro peixe que o alergista considera testar. Num resumo apresentado no congresso americano de alergia em 2024, 14 de 21 pessoas (66,7%) toleraram atum em lata.

Mas há o outro lado: num estudo de 2023 com 53 alérgicos a peixe, o sangue de 8% a 17% reagiu a proteínas do atum em lata e de 43% a 45% às do salmão em lata. Os autores concluem que peixe enlatado pode não ser seguro para todos.

Isso não quer dizer que atum em lata é liberado para quem tem alergia a peixe. Esses resultados vêm de testes feitos com o médico, em ambiente preparado. Quem decide se vale testar outro peixe, e qual, é o alergista.

Como saber quais peixes eu tolero

O caminho passa pelo alergista. Segundo a diretriz europeia de diagnóstico de alergia alimentar (EAACI, 2023) e o Consenso Brasileiro, parte 2, a avaliação junta:

  • a sua história (que peixe, como estava preparado, o que você come sem problema);
  • teste de pele e/ou IgE específica no sangue;
  • exames por componentes, como a parvalbumina, que podem ajudar a separar quem reage a muitos peixes de quem reage a poucos, embora o resultado nem sempre bata com o que a pessoa tolera na prática;
  • quando faz sentido, o teste de provocação oral com um peixe específico, feito no consultório ou hospital.

Testar em casa, com "um pedacinho" de outro peixe, não é seguro.

Sintomas e quando ligar 192

A alergia a salmão pode causar coceira, placas vermelhas na pele, inchaço de lábios e olhos, coceira na boca, vômito, diarreia, tosse e chiado. Veja a lista completa em alergia a peixe.

Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro se aparecer falta de ar, chiado, rouquidão, inchaço na língua ou na garganta, tontura, desmaio ou vômitos repetidos. Esses são sinais de anafilaxia. Segundo a Organização Mundial de Alergia (WAO, 2020), o primeiro tratamento é a adrenalina, e o antialérgico comum não a substitui.

Sushi e temaki: o que considerar

O salmão é a estrela do sushi no Brasil. Para quem tem alergia a salmão ou a peixe, o rodízio japonês junta alguns pontos de atenção:

  • O próprio peixe cru: tem a mesma parvalbumina do cozido.
  • Contato no balcão: a mesma tábua e a mesma faca cortam salmão, atum, peixe branco e camarão.
  • Kani: é feito de pasta de peixe (surimi), não de caranguejo, segundo a Virginia Tech.
  • Molhos e caldos: alguns pratos asiáticos levam molho de peixe ou caldo dashi, feito com bonito.
  • Frituras: o óleo do tempurá costuma ser compartilhado.
  • Anisakis: parasita que pode estar em peixe cru e também causa alergia. A Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos (EFSA, 2010) considerou o risco desprezível no salmão do Atlântico criado em cativeiro com ração. Explicamos em Anisakis e alergia.

Se o alergista confirmou que você tolera alguns peixes, a conversa no restaurante fica mais fácil: dá para perguntar como é feito o corte e se é possível preparar o seu prato separado.

Fatias de salmão cru (sashimi) com pepino, wasabi e gengibre
Foto: Ramaz Bluashvili, via Pexels

Salmão no rótulo e em outros produtos

Alimentos embalados com peixe precisam avisar "ALÉRGICOS: CONTÉM PEIXE" (ou "CONTÉM DERIVADOS DE PEIXE") ou "PODE CONTER PEIXE", em caixa alta e negrito, logo depois ou abaixo dos ingredientes, segundo a RDC 26/2015 da Anvisa, hoje na RDC 727/2022. Atenção a patês, cream cheese temperado, salgados e caldos prontos.

E os produtos que não são comida? Muita gente pergunta sobre ômega 3, gelatina, colágeno e o PDRN, usado em estética e feito a partir de DNA de peixe. O que se sabe até agora é pouco:

  • Óleo de peixe (ômega 3): num estudo pequeno de 2008, 6 pessoas alérgicas a peixe tomaram duas cápsulas de óleo de peixe no consultório e nenhuma reagiu. Seis pessoas é muito pouco para tirar conclusão; existem também fontes de ômega 3 de algas e plantas, segundo a revisão de Dijkema.
  • Gelatina e colágeno de peixe: a mesma revisão diz que a capacidade da gelatina de peixe causar alergia ainda não está clara: num estudo, nenhum de 30 alérgicos ao bacalhau reagiu à gelatina de pele de bacalhau, mas há relato de anafilaxia. O colágeno do peixe também é reconhecido como alérgeno em parte dos alérgicos, segundo um estudo de 2023.
  • PDRN: não encontramos estudo sobre o risco para quem tem alergia a peixe.

Leve a lista de tudo o que você usa ou pretende usar ao alergista e ao médico que vai prescrever ou aplicar.

Salmão ou camarão?

Muita gente junta os dois como "frutos do mar", mas são alergias diferentes. O camarão causa alergia por outra proteína, a tropomiosina, segundo uma revisão sobre alergia a frutos do mar. Ter alergia a salmão não quer dizer ter alergia a camarão; reação cruzada entre peixe e crustáceo existe, mas é rara, segundo o consenso italiano (2023). Quem confirma é o alergista.

Perguntas frequentes

Alergia a salmão é alergia a peixe?

Sim, é uma forma de alergia a peixe. Muitas pessoas que reagem ao salmão reagem a outros peixes, mas há quem reaja só ao salmão e à truta.

Quem tem alergia a salmão pode comer outros peixes?

Depende. Numa revisão, 41% dos alérgicos à parvalbumina toleraram pelo menos um peixe. Quem diz quais peixes você tolera é o alergista, às vezes com teste de provocação no consultório.

Salmão cozido dá menos alergia que o cru?

A parvalbumina resiste ao calor, então o salmão cozido também causa reação em quem tem alergia.

Quem tem alergia a salmão pode comer sushi?

Além do salmão, o sushi pode ter contato com outros peixes e frutos do mar no balcão. Converse com o alergista sobre o que você tolera e pergunte ao restaurante como o prato é preparado.

Quem tem alergia a salmão pode usar PDRN ou colágeno de peixe?

Sobre PDRN, não encontramos estudo. Sobre colágeno e gelatina de peixe, os dados são poucos e o colágeno pode causar reação em parte dos alérgicos. Leve a pergunta ao alergista e a quem vai prescrever ou aplicar o produto.

Na comunidade do Alergias Brasil, quem tem alergia a peixe troca experiência sobre comida japonesa, rótulo e o que perguntar na consulta.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.