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Anisakis: o parasita do peixe cru que também causa alergia

Anisakis é um parasita que pode estar em peixe cru ou mal cozido e também causa alergia. Veja sintomas, diferença para alergia a peixe e cuidados.

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Mãos limpando peixe fresco na beira da praia, em Búzios (RJ)
Foto: Marcelo Gonzalez, licença Pexels (uso livre), via Pexels
Neste texto (7 partes)
  1. O que é o Anisakis
  2. Anisakis e alergia: como funciona
  3. Alergia ao Anisakis ou alergia a peixe?
  4. E a escombroidose?
  5. Sintomas e quando ligar 192
  6. Como é feito o diagnóstico
  7. Sushi, sashimi e ceviche: o que perguntar

O Anisakis é um verme parasita que pode estar em peixe e lula crus, mal cozidos ou só marinados, como em sushi, sashimi e ceviche. Além de poder causar problemas na barriga, ele também causa alergia: há pessoas que reagem ao próprio parasita, com sintomas que vão de urticária a anafilaxia. Alergia ao Anisakis não é o mesmo que alergia a peixe, e o diagnóstico é feito com o alergista.

Como o sushi virou hábito no Brasil, vale entender a diferença.

O que é o Anisakis

O Anisakis é um parasita (um tipo de verme pequeno) que vive em animais do mar e pode chegar ao peixe e à lula. Quando a pessoa come peixe ou lula crus, mal cozidos ou só marinados (no limão ou no vinagre) com a larva viva, pode entrar em contato com ele. É isso que liga o Anisakis a pratos de peixe cru, segundo a revisão "Alergia ao Anisakis", publicada na Acta Médica Portuguesa em 2022 e o consenso italiano sobre alergia a peixe (2023).

A Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos (EFSA) considera que nenhuma área de pesca no mar está livre do Anisakis e que congelar o peixe (por exemplo, a -20 °C por 24 horas) ou aquecer acima de 60 °C mata a larva. A mesma avaliação, de 2010, considerou o risco desprezível no salmão do Atlântico criado em cativeiro com ração.

O peixe em si pode estar bom e fresco. O problema é o parasita que, às vezes, está nele.

Hashi pegando uma fatia de salmão cru (sashimi)
Foto: Mony Cruz, via Pexels

Anisakis e alergia: como funciona

Algumas pessoas desenvolvem alergia às proteínas do Anisakis. Segundo a revisão portuguesa de 2022, essa alergia pode se manifestar de formas diferentes, de urticária a anafilaxia, e por isso a revisão recomenda pesquisar o Anisakis quando alguém tem urticária, inchaço ou anafilaxia sem causa clara.

Por isso existe uma confusão comum: a pessoa reage depois de comer peixe e conclui que tem alergia a peixe. Às vezes tem. Às vezes, o que causou a reação foi o parasita, e não a proteína do peixe.

Alergia ao Anisakis ou alergia a peixe?

Infográfico Anisakis ou alergia a peixe: a alergia a peixe é reação à parvalbumina, que resiste ao calor; a alergia ao Anisakis é reação a um parasita do peixe ou da lula crus, mal cozidos ou marinados, de urticária a anafilaxia. Congelar (por exemplo, a −20 °C por 24 horas) ou aquecer acima de 60 °C mata a larva; marinar no limão ou vinagre não garante, e algumas proteínas do parasita resistem ao calor. A escombroidose é intoxicação, não alergia. Quem separa é o alergista; 192 nos sinais graves
Infográfico: Peixe · Alergias Brasil

São coisas diferentes:

  • Alergia a peixe: reação à proteína do próprio peixe, principalmente a parvalbumina. Ela resiste ao calor, então peixe bem cozido também causa reação, segundo um estudo de 2023 sobre os alérgenos do peixe. Explicamos em alergia a peixe.
  • Alergia ao Anisakis: reação às proteínas do parasita. O problema não é o peixe, e sim a larva que pode estar nele.

Saber qual é o seu caso muda bastante a vida. Quem tem alergia a peixe precisa conversar com o alergista sobre quais peixes evitar. Quem tem alergia ao Anisakis pode ter outra orientação. Segundo a revisão portuguesa, peixe previamente congelado e bem cozido parece seguro para a grande maioria dos alérgicos ao Anisakis. "A maioria" não é todo mundo: algumas proteínas do parasita resistem ao calor, então há quem reaja mesmo assim. Essa decisão é sempre do médico.

E a escombroidose?

Existe ainda uma terceira possibilidade, que não é alergia: a escombroidose. É uma intoxicação por histamina que se acumula em peixe mal conservado (atum, cavala, bonito e outros). Ela dá vermelhidão no rosto, coceira, dor de cabeça e diarreia, parecida com alergia, mas o sistema imune não participa. Cozinhar, congelar ou enlatar não destrói a histamina, segundo o CDC (Yellow Book).

Resumindo, depois de passar mal com peixe, pode ser:

  • alergia à proteína do peixe;
  • alergia ao Anisakis;
  • escombroidose (intoxicação, não alergia);
  • outra causa, que o médico investiga.

Sintomas e quando ligar 192

As reações alérgicas, seja ao peixe ou ao Anisakis, podem incluir coceira, placas vermelhas na pele, inchaço de lábios e olhos, vômito, dor de barriga, tosse e chiado, segundo o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, da SBP e da ASBAI.

Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro se aparecer falta de ar, chiado, inchaço na língua ou na garganta, rouquidão, dificuldade para engolir, tontura, desmaio ou vômitos repetidos. Esses são sinais de anafilaxia, e a Organização Mundial de Alergia (WAO, 2020) lembra que o primeiro tratamento é a adrenalina.

Como é feito o diagnóstico

O alergista começa pela história: o que você comeu, se era cru ou cozido, se era fresco ou congelado, em quanto tempo veio a reação. Depois, pode pedir exames para o peixe e para o Anisakis. Segundo a diretriz europeia de diagnóstico de alergia alimentar (EAACI, 2023), exame positivo sozinho não fecha diagnóstico: ele é sempre lido junto com a história.

No caso do Anisakis, isso pesa ainda mais: algumas proteínas do parasita se parecem com as do camarão e do ácaro, então o exame pode dar positivo em quem é alérgico a camarão ou a ácaro, segundo uma revisão de 2023 sobre alergia ao Anisakis. Exames por componentes ajudam o alergista a separar uma coisa da outra.

Algumas informações que ajudam na consulta:

  • Nome do prato e do peixe (salmão, atum, peixe branco).
  • Se era cru, mal passado ou bem cozido.
  • Se a reação aconteceu outras vezes, e com que tipo de preparo.
  • Se você come peixe enlatado ou bem cozido sem problema.

Sushi, sashimi e ceviche: o que perguntar

Peixe cru faz parte da vida de muita gente, e a ideia não é ter medo de restaurante. Para quem já teve reação, vale conversar com o alergista antes e, no restaurante, perguntar:

  • Qual peixe vai no prato.
  • Se tem camarão, kani ou outros frutos do mar no mesmo preparo ou balcão.
  • Quais molhos e caldos são usados.

Para quem tem alergia ao Anisakis, a conversa com o médico costuma incluir a forma de preparo (congelado, bem cozido). Marinar no limão ou no vinagre não garante matar a larva, segundo o consenso italiano (2023). Para quem tem alergia a peixe, o peixe cru tem a mesma proteína do cozido. Falamos mais de sushi em alergia a salmão.

Perguntas frequentes

O que é Anisakis?

É um parasita que pode estar em peixe e lula crus ou mal cozidos. Além de problemas na barriga, ele pode causar alergia em algumas pessoas.

Alergia ao Anisakis é alergia a peixe?

Não. Na alergia ao Anisakis, a reação é ao parasita. Na alergia a peixe, é à proteína do próprio peixe. O alergista ajuda a diferenciar.

Quem tem alergia ao Anisakis pode comer peixe?

Segundo uma revisão portuguesa de 2022, peixe previamente congelado e bem cozido parece seguro para a grande maioria dos alérgicos ao Anisakis, mas não para todos. A decisão para o seu caso é do alergista.

Quais os sintomas da alergia ao Anisakis?

Podem ir de urticária a anafilaxia. Falta de ar, inchaço na garganta, tontura ou desmaio: ligue 192.

Passei mal com atum, é Anisakis?

Pode ser alergia ao peixe, alergia ao Anisakis ou escombroidose, uma intoxicação por histamina de peixe mal conservado. Anote o que comeu e leve ao médico.

Na comunidade do Alergias Brasil, quem gosta de comida japonesa troca experiência sobre como conversar com o restaurante e com o alergista.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.