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Alergia a nozes e castanhas: o que é, sintomas e cuidados

Alergia a nozes e castanhas: quais são, sintomas, por que cada castanha é uma alergia, rótulo da Anvisa e o que se sabe sobre cura.

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Castanha-de-caju crua sobre uma mesa de madeira, ao ar livre
Foto: Emma Miller, licença Unsplash (uso livre), via Unsplash
Neste texto (8 partes)
  1. Quais são as castanhas
  2. Quem tem alergia a nozes e castanhas
  3. Sintomas da alergia a nozes e castanhas
  4. Cada castanha é uma alergia
  5. Como é feito o diagnóstico
  6. O que o cuidado envolve
  7. Alergia a castanha tem cura?
  8. Onde as castanhas aparecem

Alergia a nozes e castanhas é uma reação do sistema imune às proteínas de castanhas como caju, nozes, amêndoa, avelã, pistache e castanha-do-pará. Os sintomas costumam aparecer de minutos a cerca de duas horas depois de comer e vão de coceira na boca a reação grave. Cada castanha é uma alergia diferente, mas algumas costumam vir juntas. A alergia em geral dura muitos anos, e quem diz o que cada pessoa pode comer é o alergista.

Quais são as castanhas

No Brasil, "nozes" muitas vezes é usado para falar de todas as castanhas. A lista oficial está na RDC 26/2015 da Anvisa, hoje na RDC 727/2022, que cita uma a uma:

  • amêndoa;
  • avelã;
  • castanha-de-caju;
  • castanha-do-brasil (castanha-do-pará);
  • macadâmia;
  • nozes;
  • pecã;
  • pistache;
  • pinoli;
  • castanhas (a castanha portuguesa).

Coco, noz-moscada, pinhão e baru não estão nessa lista. Isso não quer dizer que sejam seguros para todo mundo com alergia a castanha: vale perguntar ao alergista sobre cada um.

E o amendoim não é castanha: é uma leguminosa. Mas muita gente tem as duas alergias. Explicamos em quem tem alergia a amendoim pode comer castanha.

Castanhas à venda em sacos numa feira de Belém, no Pará
Foto: Raíssa Lisboa, via Pexels

Quem tem alergia a nozes e castanhas

No Brasil não há estatística oficial sobre alergia alimentar. A ASBAI diz que as alergias a amendoim e castanhas aumentaram entre crianças nos últimos anos, sem número nacional.

Como referência de fora:

Sintomas da alergia a nozes e castanhas

Segundo o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, da SBP e da ASBAI, os sinais podem incluir:

  • Pele e boca: coceira ou formigamento na boca e na garganta, lábios ou olhos inchados, placas vermelhas que coçam (urticária).
  • Barriga: vômito, dor, diarreia.
  • Respiração: espirros, nariz escorrendo, tosse, chiado.

Quando ligar 192

Dificuldade para respirar ou engolir, voz rouca, aperto na garganta, chiado forte, tontura, desmaio, palidez, moleza (em criança), lábios arroxeados ou vômitos repetidos junto com outros sintomas podem ser anafilaxia. Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro. Quem tem plano de ação do médico faz o que está no plano e liga 192 mesmo assim. Veja mais em anafilaxia.

Segundo a Organização Mundial de Alergia (WAO, 2020), o primeiro tratamento da anafilaxia é a adrenalina intramuscular.

Cada castanha é uma alergia

Ter alergia a uma castanha não quer dizer ter alergia a todas. Segundo a atualização em alergia alimentar da ASBAI e da SBP (2025), quem tem alergia a uma castanha reage a outras em cerca de 15% a 33% dos casos. Mas alguns pares andam juntos com muito mais frequência:

  • Caju e pistache: quem tem alergia a pistache reage ao caju em mais de 95% dos casos, e quem tem alergia a caju reage ao pistache em cerca de 66% a 83%, segundo a mesma atualização. Num estudo dinamarquês de 2022, de 18 crianças e jovens com alergia a caju testados para os dois, só 1 tolerou o pistache.
  • Noz e pecã: quem tem alergia a pecã reage à noz em mais de 95% dos casos, e quem tem alergia a noz reage à pecã em cerca de 66% a 75%.
Infográfico alergia a castanhas, cada uma é uma alergia: as castanhas da lista da Anvisa são amêndoa, avelã, castanha-de-caju, castanha-do-pará, macadâmia, nozes, pecã, pistache, pinoli e castanha portuguesa; coco, noz-moscada, pinhão e baru não estão na lista. Segundo a ASBAI e a SBP (2025), 15% a 33% de quem tem alergia a uma castanha reage a outras; quem tem alergia a pistache reage ao caju em mais de 95% dos casos, e a caju reage ao pistache em 66% a 83%; quem tem alergia a pecã reage à noz em mais de 95%, e a noz reage à pecã em 66% a 75%. Amendoim não é castanha, mas muita gente tem as duas alergias. Quem diz o que vale para cada pessoa é o alergista
Infográfico: Amendoim e castanhas · Alergias Brasil

Esses números variam de região para região, e o que vale para o seu caso só o alergista diz, com exames e, às vezes, teste de provocação.

Como é feito o diagnóstico

O alergista junta a história clínica com teste de pele, IgE específica e IgE para componentes da proteína. Quando há dúvida, pode indicar o teste de provocação oral, em ambiente preparado, como descreve a parte 2 do Consenso Brasileiro.

Os componentes ajudam em algumas castanhas. Segundo a atualização da ASBAI e da SBP (2025), o Ana o 3 tem boa precisão para confirmar a alergia a caju, e o Cor a 9 e o Cor a 14 ajudam nos casos difíceis de alergia a avelã.

Exame positivo sozinho não é diagnóstico: muita gente é sensibilizada a uma castanha e come sem reagir.

O que o cuidado envolve

A diretriz europeia de alergia alimentar (EAACI, 2025) fala em evitar a castanha que causa a alergia, com orientação de nutricionista, ter plano de ação escrito e, para quem tem risco de anafilaxia, adrenalina autoinjetável prescrita.

No Brasil, nenhuma caneta de adrenalina tem registro na Anvisa, como reforçou a ASBAI em abril de 2026, segundo a IstoÉ Dinheiro. O acesso costuma ser por importação com receita, segundo o Poder360 (nov/2025).

Nos Estados Unidos, a FDA aprovou em 2024 um medicamento injetável do tipo anti-IgE para reduzir reações por exposição acidental a alimentos. No estudo que levou à aprovação, descrito na atualização da ASBAI e da SBP (2025), ele aumentou a quantidade tolerada de amendoim, leite, ovo e castanha-de-caju. Ele não substitui evitar o alimento nem a adrenalina. Se faz sentido para você, é conversa com o alergista.

Alergia a castanha tem cura?

Na maior parte das pessoas, costuma durar: a atualização da ASBAI e da SBP (2025) coloca as castanhas entre as alergias mais persistentes. Num estudo da Johns Hopkins com 278 crianças, cerca de 9% superaram a alergia a castanhas, segundo o resumo divulgado pela universidade. Por isso o alergista reavalia de tempos em tempos.

Onde as castanhas aparecem

  • Natal: panetone, chocotone, bombons, ceia e cestas de presente.
  • Cremes de avelã e chocolates com pedaços.
  • Granola, barras de cereal, pães com castanhas, pesto, farofa de castanha, doces árabes com pistache.
  • Bebidas e queijos vegetais de caju, amêndoa ou castanha-do-pará. Quem tem alergia ao leite e troca por bebida de castanha pode estar trocando um alérgeno por outro.

No rótulo, procure "ALÉRGICOS: CONTÉM" ou "PODE CONTER" seguido do nome da castanha, em caixa alta e negrito, logo depois dos ingredientes, como manda a RDC 26/2015. Em comida sem embalagem, vale perguntar a receita.

Perguntas frequentes

Alergia a nozes é o mesmo que alergia a castanhas?

No dia a dia, "nozes" costuma ser usado para todas as castanhas. Mas cada castanha é uma alergia diferente, e ter alergia a uma não quer dizer ter alergia a todas.

Quem tem alergia a castanha pode comer coco?

O coco não está na lista de castanhas da Anvisa. Mesmo assim, vale perguntar ao alergista sobre o seu caso.

Quem tem alergia a caju tem alergia a pistache?

Com muita frequência: segundo a ASBAI e a SBP, quem tem alergia a caju reage ao pistache em cerca de 2 a cada 3 casos ou mais. Quem confirma é o alergista, com exames.

Alergia a castanha tem cura?

Na maior parte das pessoas, costuma durar. Num estudo americano, cerca de 9% das crianças superaram a alergia. O alergista reavalia de tempos em tempos.

Quais os sintomas de alergia a nozes?

Coceira na boca, inchaço de lábios e olhos, placas na pele, vômito, tosse e chiado, em geral pouco depois de comer. Falta de ar, aperto na garganta ou desmaio: ligue 192.

Na comunidade do Alergias Brasil, quem tem alergia a castanhas troca dicas de rótulo, Natal e receitas sem castanha.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.