Neste texto (7 partes)
- Como funciona o remédio para refluxo do bebê
- Tabela: Losec, Famox, Digesan e Luftal
- O que a diretriz diz sobre remédio para refluxo no bebê
- Dúvidas que mais aparecem no grupo
- Riscos que os estudos acompanham (sem alarme)
- O que esperar e o que anotar para a consulta
- Sinais de alerta: ligue 192 ou vá ao pronto-socorro
Remédio para refluxo em bebê é quase sempre um destes: o omeprazol (Losec)¹ (e os "primos" esomeprazol e lansoprazol) ou a famotidina (Famox)². Os dois tipos diminuem o ácido do estômago, mas não impedem o leite de voltar. A diretriz internacional de refluxo infantil não recomenda esses remédios para choro ou golfada em bebê que está bem, e reserva o uso para casos como a inflamação do esôfago, sempre com receita e acompanhamento.
Também aparecem a bromoprida (Digesan)³, que é de outra família, e a simeticona (Luftal)⁴, que é remédio de gases.
Sobre os nomes: quase ninguém fala "omeprazol" na fila da farmácia; fala Losec, Famox, Digesan, Luftal. Por isso este texto mostra o nome do remédio (o princípio ativo) junto do nome comercial mais conhecido. Existem genéricos e outras marcas com o mesmo remédio, e o site não indica marca nenhuma.
Sobre os números pequenos (¹ ² ³): cada número leva ao que diz a bula brasileira daquele remédio sobre idade e efeitos, com o laboratório, a data e o link. As notas completas estão logo abaixo da tabela.
Na comunidade, a pergunta aparece toda semana: "o pediatra trocou o Losec pelo Famox, é normal?", "o remédio piora os gases?", "quanto tempo vai durar?". Este texto explica, em palavras de casa, o que cada remédio faz e o que a ciência sabe sobre eles. Ele não diz o que fazer com o remédio do seu filho: isso é conversa com o pediatra ou o gastropediatra.
Se você ainda está entendendo a diferença entre golfada normal, doença do refluxo e APLV, comece por refluxo ou APLV.
Como funciona o remédio para refluxo do bebê
Imagine que o estômago tem várias torneirinhas de ácido na parede. O ácido ajuda a digerir a comida e a matar micróbios que chegam com ela.
Os remédios de refluxo mais usados diminuem esse ácido. Assim, o que volta do estômago fica menos ácido e machuca menos o esôfago. O que eles não fazem é segurar o leite lá embaixo: o bebê continua golfando do mesmo jeito. A diretriz NASPGHAN/ESPGHAN de 2018 lembra que boa parte do refluxo dos bebês nem é ácida, e esse refluxo o remédio não muda.
Omeprazol (Losec) infantil e os outros IBPs
O omeprazol (Losec)¹, o esomeprazol e o lansoprazol são os inibidores da bomba de prótons, ou IBPs. Eles desligam boa parte das "bombinhas" que soltam o ácido, ou seja, fecham várias torneirinhas de uma vez, segundo o resumo da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA e a bula americana do esomeprazol.
O esomeprazol é a "metade ativa" da molécula do omeprazol: mesma família, mesmo jeito de agir. A diretriz não achou nenhum estudo comparando um IBP com outro em criança.
O que diz a bula¹: a bula do Losec MUPS diz que o remédio não é recomendado em crianças menores de 1 ano; a dose para criança aparece para esofagite de refluxo grave a partir de 1 ano. Entre os efeitos comuns estão dor de cabeça, diarreia, intestino preso, dor na barriga, enjoo, vômito e gases.
Famotidina (Famox): o bloqueador H2
A famotidina (Famox)² é um bloqueador H2. A histamina é um dos "avisos" que mandam o estômago abrir as torneirinhas; a famotidina bloqueia esse aviso e o estômago solta menos ácido, segundo a revisão StatPearls. É outra família de remédio, com outro jeito de agir.
O que diz a bula²: a bula do Famox é de uso adulto e diz que a segurança e a eficácia em crianças ainda não foram estabelecidas. Os efeitos comuns são dor de cabeça, diarreia, intestino preso e tontura.
Por que a ranitidina sumiu da farmácia
A ranitidina era o bloqueador H2 mais usado. Em 2020, a agência americana FDA pediu a retirada de todos os produtos com ranitidina, porque uma impureza chamada NDMA podia aumentar com o tempo e o calor. No Brasil, a Anvisa proibiu de forma definitiva a venda e a fabricação da ranitidina, pela possibilidade de formar NDMA no próprio remédio, e o SUS tirou a ranitidina da lista, como conta o relatório da Conitec. Por isso muita família que usava ranitidina passou para a famotidina (Famox) ou para um IBP, como o omeprazol (Losec). Nos testes da FDA, a famotidina e os IBPs não tinham NDMA.
Simeticona (Luftal) no bebê: remédio de gases, não de refluxo
A simeticona (Luftal)⁴ é um remédio para gases: ela junta as bolhinhas de gás da barriga para sair mais fácil e não é absorvida pelo corpo, segundo a revisão StatPearls. Ela não mexe no ácido nem no refluxo. Na cólica do bebê, uma revisão Cochrane de 2016 não achou benefício da simeticona sobre o placebo, com estudos pequenos e de baixa qualidade.
O que diz a bula⁴: a bula do Luftal é de uso adulto e pediátrico, tem dose para lactentes e diz que não há contraindicação por idade. Ela também diz que o Luftal não é absorvido pelo organismo; os efeitos citados são raros, como alergia na pele.
Bromoprida (Digesan): o que é
A bromoprida (Digesan)³ é de outra família: ela não mexe no ácido. É um procinético, um remédio que faz o estômago e o intestino se mexerem e esvaziarem mais rápido, e também diminui o enjoo. Ela age bloqueando a dopamina, como a metoclopramida, da qual é "prima" na estrutura, segundo um estudo de farmacologia de 2025 e uma revisão sobre esses procinéticos.
A bromoprida é aprovada só em alguns países e é muito receitada no Brasil, como contam esse estudo e um estudo brasileiro de 2020. Talvez por isso a diretriz NASPGHAN/ESPGHAN nem cite a bromoprida. Mas ela sugere não usar os procinéticos da mesma família, a metoclopramida e a domperidona, no refluxo de bebês e crianças, e não usar outros procinéticos como primeiro tratamento.
O que diz a bula³: a bula do Digesan diz:
- É contraindicado para crianças menores de 1 ano, pelo risco maior de agitação, irritabilidade e convulsões.
- As reações extrapiramidais (inquietação, movimentos involuntários, fala enrolada) podem ser mais frequentes em crianças e adultos jovens e aparecer depois de uma única dose.
- Sonolência, inquietação e cansaço estão entre as reações muito comuns.
Num estudo brasileiro com crianças de 1 a 12 anos com vômito no pronto-socorro, a sonolência foi o efeito mais comum da bromoprida e da metoclopramida. Se o bebê ficou diferente depois do remédio, como molinho, agitado ou com movimentos estranhos, anote a hora e conte ao médico; se ficar molinho demais ou tiver convulsão, ligue 192.
E a domperidona e a metoclopramida?
A domperidona (Motilium)⁵ e a metoclopramida (Plasil)⁶ também fazem o estômago esvaziar mais rápido. A diretriz NASPGHAN/ESPGHAN sugere não usar nenhuma das duas para refluxo em bebês e crianças: os estudos são fracos e há preocupação com efeitos no coração e no sistema nervoso. A diretriz conta ainda que a agência de saúde do Canadá contraindicou a metoclopramida em bebês com menos de 1 ano, por causa dos efeitos colaterais.
O que dizem as bulas⁵ ⁶: a bula do Motilium (domperidona) diz que a eficácia não foi estabelecida em lactentes e crianças menores de 12 anos com menos de 35 kg, e que a superdose foi relatada principalmente em lactentes e crianças. A bula do Plasil (metoclopramida) contraindica o uso em menores de 1 ano, diz que as reações extrapiramidais podem ser mais frequentes em crianças e cita metemoglobinemia, principalmente em recém-nascidos, entre as reações de frequência desconhecida.
Tabela: Losec, Famox, Digesan e Luftal
| IBP: omeprazol (Losec)¹, esomeprazol, lansoprazol | Bloqueador H2: famotidina (Famox)² | Procinético: bromoprida (Digesan)³ | Simeticona (Luftal)⁴ | |
|---|---|---|---|---|
| Como age | Desliga as bombinhas de ácido do estômago | Bloqueia o aviso (histamina) que liga o ácido | Bloqueia a dopamina e faz o estômago esvaziar mais rápido | Junta as bolhas de gás da barriga |
| Diminui o ácido? | Sim | Sim | Não | Não |
| O que a diretriz diz | Primeira escolha quando há esôfago inflamado pelo ácido | Opção quando o IBP não pode ser usado | Não cita; sugere não usar metoclopramida e domperidona, da mesma família | Não é tratamento de refluxo |
| Em bebê que golfa ou chora, mas está bem | Não recomendado | Não recomendado | A diretriz não avalia a bromoprida | Sem benefício provado na cólica |
| O que diz a bula | Não recomendado antes de 1 ano¹ | Uso adulto; segurança em crianças não estabelecida² | Contraindicado antes de 1 ano³ | Uso adulto e pediátrico, com dose para lactentes⁴ |
Fonte: NASPGHAN/ESPGHAN 2018, bulas das notas abaixo, StatPearls e Cochrane 2016.
O que dizem as bulas
A bula mostra para que idade e para que uso o laboratório pediu registro à Anvisa. O médico pode receitar um remédio fora do que está na bula (o chamado uso off-label) quando avalia que faz sentido para aquele bebê; isso é comum na pediatria, como mostrou um estudo brasileiro em UTI neonatal, e é decisão de quem acompanha a criança. Se ficar em dúvida, pergunte na consulta.
- ¹ Bula do Losec MUPS (omeprazol magnésico), AstraZeneca do Brasil, texto atualizado em 05/08/2025: "não é recomendado em crianças menores de 1 ano de idade"; dose pediátrica para esofagite de refluxo grave a partir de 1 ano; efeitos comuns: dor de cabeça, diarreia, prisão de ventre, dor na barriga, enjoo, vômito e gases. Bula
- ² Bula do Famox (famotidina), Aché Laboratórios, texto atualizado em 08/12/2021: uso adulto; "a segurança e eficácia em crianças ainda não foram estabelecidas"; efeitos comuns: dor de cabeça, diarreia, constipação e tontura. Bula
- ³ Bula do Digesan (bromoprida) gotas pediátricas, Sanofi-Aventis, texto atualizado em 30/07/2025: uso adulto e pediátrico acima de 1 ano; "contraindicado para crianças menores de 1 ano", pelo risco maior de agitação, irritabilidade e convulsões; reações extrapiramidais podem ser mais frequentes em crianças e adultos jovens e ocorrer após dose única; sonolência, inquietação e cansaço muito comuns. Bula
- ⁴ Bula do Luftal (simeticona) gotas, Reckitt Benckiser, texto atualizado em 28/01/2021: uso adulto e pediátrico, com dose para lactentes; "não há contraindicação relativa a faixas etárias"; "não é absorvido pelo organismo"; reações raras de alergia na pele. Bula
- ⁵ Bula do Motilium (domperidona), Janssen-Cilag, texto consultado em 18/10/2026: suspensão oral para uso pediátrico acima de 12 anos ou acima de 35 kg; "a eficácia não foi estabelecida em lactentes e crianças menores de 12 anos de idade e pesando menos de 35 kg"; superdose relatada principalmente em lactentes e crianças. Bula
- ⁶ Bula do Plasil (metoclopramida), Sanofi-Aventis, texto consultado em 18/10/2026: "contraindicado para crianças menores de 1 ano de idade"; reações extrapiramidais podem ser mais frequentes em crianças e adultos jovens; tratamento não deve passar de 3 meses pelo risco de discinesia tardia; metemoglobinemia, principalmente em recém-nascidos, entre as reações de frequência desconhecida. Bula
As bulas foram lidas em cópias públicas do texto aprovado; a bula que vem na caixa do remédio é a que vale.
O que a diretriz diz sobre remédio para refluxo no bebê
A diretriz NASPGHAN/ESPGHAN é a referência das sociedades americana e europeia de gastroenterologia pediátrica. Sobre os remédios, ela diz:
- Não usar IBP nem bloqueador H2 para choro e irritação em bebê que, fora isso, está bem (recomendação forte).
- Não usar para golfada visível em bebê que está bem (recomendação forte).
- Não usar como "teste" para ver se é refluxo.
- IBP é a primeira escolha quando há esofagite, a inflamação do esôfago pelo ácido. O bloqueador H2 fica como opção se o IBP não puder ser usado.
- Sem melhora em 4 a 8 semanas, o médico reavalia e procura outras causas.
- No uso longo, o médico reavalia de tempos em tempos se o remédio ainda é necessário.

Por que tanta cautela? Porque, nos estudos com bebês, o remédio não foi melhor do que o placebo. No maior estudo com lansoprazol, com 162 bebês de 1 a 12 meses, 54% melhoraram nos dois grupos, com o remédio e com o placebo. Uma revisão de 2024 chegou à mesma conclusão: nos bebês, o IBP não diminuiu os sintomas mais do que o placebo; nas crianças maiores, ajudou.
Antes do remédio, a diretriz pensa na APLV
A APLV pode imitar o refluxo direitinho. Por isso, quando o bebê toma fórmula e os cuidados das mamadas não bastaram, a diretriz sugere 2 a 4 semanas de fórmula extensamente hidrolisada antes de pensar em remédio. No peito, a mãe pode tirar o leite da própria dieta, com orientação (veja a dieta da mãe que amamenta). Quando a alergia é a causa, os vômitos costumam melhorar em cerca de 2 semanas sem a proteína do leite.
A lista de imitadores do refluxo também inclui a esofagite eosinofílica, que só a endoscopia com biópsia confirma.
Dúvidas que mais aparecem no grupo
Estas são as perguntas que mais chegam na comunidade sobre remédio de refluxo, com o que a diretriz, as bulas e os dados oficiais dizem.
"Faz meses que toma Losec e não melhorou"
A diretriz NASPGHAN/ESPGHAN recomenda que o médico reavalie o tratamento depois de 4 a 8 semanas: confere se o remédio está sendo dado do jeito certo e procura outras causas para os sintomas. Entre as causas que imitam o refluxo estão a própria APLV e a esofagite eosinofílica. Mesmo com a APLV já controlada, vale levar a pergunta: "o que mais pode estar causando isso?".

"O Losec tá caro. Posso trocar pelo Ésio?"
O Ésio é esomeprazol, da mesma família do omeprazol (Losec)¹: os dois desligam as bombinhas de ácido, e a diretriz não achou nenhum estudo mostrando que um funciona melhor que o outro em criança. Também existe omeprazol genérico, com o mesmo remédio do Losec, e o omeprazol em cápsula de 10 mg e 20 mg está na Rename 2024, a lista de medicamentos essenciais do SUS (farmácia básica). Comprimido e cápsula são formas diferentes; se a troca serve para o seu bebê, quem diz é o médico.
Para ter uma ideia, o preço máximo ao consumidor da CMED/Anvisa (lista de 09/10/2026, ICMS 18%), na caixa de 20 mg com 28 unidades:
- Losec (omeprazol magnésico, comprimido): R$ 560,94.
- Ésio (esomeprazol, comprimido): R$ 170,11.
- Esomeprazol genérico: de R$ 91,94 a R$ 170,09, conforme o laboratório.
- Omeprazol genérico (cápsula): de R$ 29,58 a R$ 158,46, conforme o laboratório.
É o teto que a farmácia pode cobrar, não o preço do balcão.

"Piorou o sono, deu cólica e gases"
As bulas listam efeitos que podem aparecer: a do Losec¹ cita gases, dor na barriga, diarreia e intestino preso entre os efeitos comuns; a do Famox², dor de cabeça, diarreia e intestino preso; a do Digesan³, inquietação, sonolência e insônia. Como cólica e gases também são comuns nos primeiros meses, anote quando começou, o horário do remédio e como foi a noite, e conte ao médico.
"Tenho medo de o médico passar remédio de novo"
Em bebê que golfa, mas mama bem e ganha peso, a diretriz não recomenda remédio para o ácido. Antes dele, ela sugere ajustar o volume e o intervalo das mamadas, espessar a mamada para a golfada visível e, no bebê de fórmula, testar 2 a 4 semanas de fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos. Na APLV, o espessante precisa ser compatível com a dieta sem leite, e quem escolhe é o médico. Vale perguntar na consulta: "o que a gente tenta antes do remédio?".
"Sente dor do ácido, mas quase não golfa"
A dor pode ter várias causas. A diretriz sugere a endoscopia com biópsia quando se suspeita de lesão no esôfago e antes de aumentar o tratamento. Ganhar peso é um bom sinal, mas não responde sozinho essa dúvida: pergunte ao gastropediatra se é caso de investigar mais. Se aparecer algum dos sinais de alerta abaixo, procure atendimento na hora.
Riscos que os estudos acompanham (sem alarme)
Todo remédio tem efeitos possíveis, e o ácido do estômago tem uma função: ajuda a barrar micróbios. Os estudos abaixo mostram associações, ou seja, coisas que aparecem mais em quem usou o remédio. A maioria são estudos observacionais, que não provam que o remédio causou o problema. Eles são o motivo de a diretriz pedir uso só quando faz sentido, e não motivo para pânico.
- Infecções: num estudo italiano com crianças de 4 a 36 meses, as que usaram remédio para o ácido tiveram mais gastroenterite e pneumonia nos 4 meses seguintes. No estudo do lansoprazol, os problemas graves, principalmente infecções respiratórias, foram mais comuns no grupo do remédio (10 bebês contra 2). A diretriz cita também outros estudos com mais infecções em quem usa esses remédios.
- Fraturas: num estudo com 851 mil crianças dos EUA, quem usou IBP no primeiro ano de vida teve 21% mais risco de fratura na infância. Com o bloqueador H2 sozinho, não houve aumento. Quanto mais tempo de uso e mais cedo o início, maior a associação.
- Alergias: num estudo com 792 mil crianças, quem usou remédio para o ácido nos primeiros 6 meses recebeu mais diagnósticos de alergia alimentar depois, cerca de duas vezes mais. Uma explicação possível é que parte desses bebês já tinha uma alergia ainda não descoberta causando os sintomas. Por isso, o estudo não prova que o remédio causou a alergia.
- No dia a dia: a bula resumida do omeprazol (Losec) lista intestino preso, gases, diarreia, enjoo e vômito entre os efeitos comuns. A da famotidina (Famox) cita dor de cabeça, intestino preso, diarreia e irritação em bebês. Num estudo pequeno com famotidina em 35 bebês, alguns ficaram agitados ou sonolentos.
Se você notou alguma mudança desde que o remédio começou, anote e conte ao médico. Mudar ou tirar o remédio é decisão de quem acompanha o bebê.
O que esperar e o que anotar para a consulta
O remédio que diminui o ácido pode ajudar na dor e na irritação quando o ácido está machucando o esôfago. A golfada, em geral, continua, e na maioria dos bebês ela diminui sozinha com o tempo.

Um diário de alguns dias ajuda muito o médico a ver se o remédio está fazendo diferença. Anote:
- O remédio: nome, horário e se foi antes ou depois da mamada.
- As mamadas: horário, quanto mamou, se recusou ou chorou durante.
- As golfadas: quantas, mais ou menos o volume, se teve engasgo.
- O sono: quantas vezes acordou chorando.
- O cocô: cor, consistência, muco ou rajinhas de sangue (veja fezes de bebê com APLV).
- A pele: manchas, coceira, vermelhidão.
- O peso: os valores de cada pesagem.
Boas perguntas para levar: "o que a gente espera que melhore com esse remédio?", "em quanto tempo vamos reavaliar?", "e se não melhorar, qual o próximo passo?", "a APLV já foi investigada?".
Se o bebê já está em dieta sem leite e os sintomas continuam, leia também sintomas mesmo com fórmula de aminoácidos.
Sinais de alerta: ligue 192 ou vá ao pronto-socorro
Procure atendimento na hora, pelo 192 (SAMU) ou no pronto-socorro mais perto, se o bebê engasgar e ficar sem ar ou roxo, vomitar verde ou com sangue, vomitar em jato várias vezes seguidas, recusar todas as mamadas e fizer pouco xixi, ou ficar molinho, pálido ou com febre. A lista completa está em refluxo ou APLV.
Fontes científicas
- Rosen R, Vandenplas Y et al. Pediatric Gastroesophageal Reflux Clinical Practice Guidelines: Joint Recommendations of NASPGHAN and ESPGHAN. J Pediatr Gastroenterol Nutr, 2018. PubMed
- Orenstein SR et al. Lansoprazole in infants with symptoms of GERD: multicenter, double-blind, randomized, placebo-controlled trial. J Pediatr, 2009. PubMed
- Fernández-González SM et al. Proton Pump Inhibitors in Pediatric GERD: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. Children, 2024. PubMed
- Orenstein SR et al. Famotidine for infant gastro-oesophageal reflux. Aliment Pharmacol Ther, 2003. PubMed
- Canani RB et al. Therapy with gastric acidity inhibitors increases the risk of acute gastroenteritis and community-acquired pneumonia in children. Pediatrics, 2006. PubMed
- Malchodi L et al. Early Acid Suppression Therapy Exposure and Fracture in Young Children. Pediatrics, 2019. PubMed
- Mitre E et al. Association Between Use of Acid-Suppressive Medications and Antibiotics During Infancy and Allergic Diseases in Early Childhood. JAMA Pediatr, 2018. PubMed
- Biagioli E et al. Pain-relieving agents for infantile colic. Cochrane Database Syst Rev, 2016. PubMed
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- Singh H, Patel P, Akhondi H. Simethicone. StatPearls, 2026. PubMed
- Abella LMR et al. Bromopride stimulates 5-HT4-serotonin receptors in the human atrium. Naunyn Schmiedebergs Arch Pharmacol, 2025. PubMed
- Tonini M et al. Clinical implications of enteric and central D2 receptor blockade by antidopaminergic gastrointestinal prokinetics. Aliment Pharmacol Ther, 2004. PubMed
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- Santos LGD et al. Prescription of off-label and unlicensed medication for newborns hospitalized in the Intensive Care Unit. Rev Paul Pediatr, 2023. PubMed
- CMED/Anvisa. Lista de preços de medicamentos (preço máximo ao consumidor), publicada em 09/10/2026. Lista
- Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) 2024, 2ª edição, 2025. PDF
- Bulas brasileiras do Losec MUPS, Famox, Digesan, Luftal, Motilium e Plasil: veja as notas abaixo da tabela.
- MedlinePlus (Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA). Omeprazole e Famotidine.
- FDA. Bula do Nexium (esomeprazol). DailyMed
- FDA. FDA Requests Removal of All Ranitidine Products (Zantac) from the Market, 2020. Comunicado
- Conitec, Ministério da Saúde. Exclusão do cloridrato de ranitidina do SUS, 2021. Relatório
Perguntas frequentes
Losec (omeprazol) faz mal pro bebê?
Quando há indicação, como a esofagite, o omeprazol (Losec) é a primeira escolha da diretriz. A bula do Losec¹ não recomenda o uso antes de 1 ano, e o médico pode receitar fora da bula quando avalia que faz sentido. Mas estudos grandes associaram o uso no primeiro ano a mais infecções e fraturas, sem provar que o remédio causou. Por isso a diretriz pede uso só quando faz sentido e reavaliação de tempos em tempos. Na dúvida, converse com o pediatra.
Qual a diferença entre Losec e Famox?
Os dois diminuem o ácido do estômago, por caminhos diferentes. O omeprazol (Losec), um IBP, desliga as bombinhas de ácido; a famotidina (Famox), um bloqueador H2, bloqueia um dos avisos que ligam o ácido. Segundo a diretriz NASPGHAN/ESPGHAN, o IBP é a primeira escolha na esofagite e o bloqueador H2 é opção quando o IBP não pode ser usado.
Digesan (bromoprida) serve para refluxo do bebê?
A bromoprida (Digesan) não diminui o ácido: ela faz o estômago esvaziar mais rápido. A bula do Digesan³ contraindica o remédio para menores de 1 ano, e a diretriz NASPGHAN/ESPGHAN sugere não usar procinéticos da mesma família no refluxo de bebês e crianças. Se o Digesan foi receitado, pergunte ao médico o motivo e o que observar.
Pode trocar o omeprazol (Losec) pela famotidina (Famox)?
Quem decide é o médico que acompanha o bebê. A diretriz não achou estudos comparando um IBP com outro em criança, e os que comparam IBP com bloqueador H2 são poucos e fracos. Se o remédio foi trocado e você ficou com dúvida, pergunte na consulta o que se espera da troca.
Remédio de refluxo causa gases?
Pode acontecer. A bula resumida do omeprazol (Losec) lista gases, intestino preso e diarreia entre os efeitos comuns, e a da famotidina (Famox) cita irritação em bebês. A simeticona (Luftal) é remédio de gases, não de refluxo. Como gases e cólica também são comuns nos primeiros meses, anote quando começaram e conte ao médico.
Quanto tempo dura o tratamento do refluxo com remédio?
Não existe um prazo igual para todos. A diretriz NASPGHAN/ESPGHAN fala em reavaliar o tratamento depois de 4 a 8 semanas e, no uso longo, conferir de tempos em tempos se o remédio ainda é necessário. Quem define o tempo é o pediatra ou o gastropediatra.
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