Cuidados

Teste de contato (patch test): como é feito e cuidados

Teste de contato (patch test): como é feito, quanto tempo dura, o que pode e o que não pode durante o exame e como entender o resultado.

Compartilhar no WhatsApp
Costas de uma paciente com as fileiras de adesivos numerados do teste de contato coladas, num consultório
Foto: Smirkybec, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
Neste texto (9 partes)
  1. Para que serve o teste de contato
  2. Teste de contato, patch test e prick test: qual a diferença
  3. Como é feito, dia a dia
  4. Cuidados antes do teste
  5. Durante o teste: o que pode e o que não pode
  6. Como entender o resultado
  7. O teste pode causar alergia?
  8. Teste de contato tem no SUS?
  9. Depois do resultado

O teste de contato, também chamado de patch test, é o exame que descobre a que substâncias a pele tem alergia de contato. Pequenas quantidades de cada substância são coladas nas costas com adesivos, que ficam ali por dois dias. O médico faz pelo menos duas leituras, em dias diferentes, para ver onde a pele reagiu. Não é exame de sangue e não é o mesmo que o prick test.

É o exame padrão para investigar a dermatite de contato alérgica. Abaixo, o passo a passo, segundo a diretriz da Sociedade Europeia de Dermatite de Contato (ESCD), atualizada em 2026.

Para que serve o teste de contato

Ele serve para descobrir qual substância está causando a dermatite, quando o médico suspeita de alergia de contato. Com o nome em mãos, dá para procurar no rótulo e desviar dela no dia a dia.

Ele detecta a alergia do tipo tardio, que aparece de um a alguns dias depois do contato. Por isso o exame leva vários dias, e não minutos.

Teste de contato, patch test e prick test: qual a diferença

  • Teste de contato e patch test são a mesma coisa, com nomes em português e em inglês.
  • Prick test (teste de puntura, ou teste cutâneo de leitura imediata) é outro exame: uma gota do alérgeno e uma picadinha no braço, com resultado em minutos. Ele procura alergias ligadas ao anticorpo IgE, como alergia alimentar e rinite.
  • Exame de sangue (IgE específica) também é para outro tipo de alergia e não substitui o teste de contato.

Como é feito, dia a dia

O esquema mais usado, segundo a diretriz da ESCD (2026), é:

  1. Dia 0 (D0): as substâncias, em câmaras pequenas presas por esparadrapo, são coladas nas costas, na parte de cima. Se não houver espaço, podem ir para o lado de fora dos braços ou das coxas.
  2. Dia 2 (D2): os adesivos são retirados depois de dois dias de contato, e o médico faz a primeira leitura.
  3. Dia 3 ou 4 (D3/D4): nova leitura, considerada obrigatória pela diretriz.
  4. Por volta do dia 7 (D7): a diretriz considera ideal mais uma leitura, porque algumas substâncias, como corticoides, ouro, acrilatos de unha e alguns antibióticos (como a neomicina), só reagem mais tarde. Sem essa leitura, de 7% a 30% dessas alergias podem passar despercebidas.

O médico marca as costas com caneta para saber onde estava cada substância. Os horários e dias podem mudar conforme o serviço.

Infográfico de como é feito o teste de contato: adesivos colados nas costas no dia 0, retirada e primeira leitura no dia 2, segunda leitura no dia 3 ou 4 e leitura tardia por volta do dia 7; o que evitar com os adesivos nas costas (molhar, sol, exercício pesado e pressão) e o que pode atrapalhar o resultado
Infográfico: Dermatite de contato · Alergias Brasil

Quais substâncias são testadas

No Brasil, há uma bateria padrão com as substâncias que mais dão alergia. A usada há mais de 20 anos tem 30 substâncias, e a Sociedade Brasileira de Dermatologia propôs em 2026 uma nova, com 40 (Bonamigo et al., 2026). Existem baterias extras, como a de cosméticos e a capilar, que o médico acrescenta conforme a suspeita (An Bras Dermatol, 2019).

Produtos que você usa também podem ser testados. A diretriz da ESCD descreve como testar cosméticos que ficam na pele, xampus e sabonetes diluídos e materiais sólidos. Por isso, vale levar à consulta os produtos de que você desconfia, na embalagem original.

Cuidados antes do teste

Alguns fatores podem atrapalhar o resultado. A diretriz da ESCD cita:

  • sol ou bronzeamento nas costas nas 2 a 4 semanas anteriores;
  • pomadas de corticoide ou de tacrolimo nas costas na semana ou nas duas semanas anteriores, conforme a força;
  • remédios que diminuem a imunidade, como corticoides por boca em dose alta, e também imunobiológicos e remédios da família dos inibidores de JAK, que podem esconder reações;
  • dermatite ativa forte ou espalhada, principalmente nas costas.

Nenhum remédio deve ser interrompido por conta própria. Leve a lista do que você usa (pomadas e comprimidos) para o médico, que vai dizer o que fazer com cada um. Antialérgicos, por exemplo, são um ponto em que os especialistas divergem, e cabe ao médico decidir.

Durante o teste: o que pode e o que não pode

A diretriz diz que a pessoa deve ser orientada a evitar:

  • molhar as costas, inclusive no chuveiro, enquanto os adesivos estão lá;
  • sol ou luz ultravioleta na área;
  • exercício pesado;
  • pressão nos adesivos, que pode descolá-los.

O serviço explica como fazer nos dias entre as leituras.

Coçar um pouco no lugar de uma substância é comum quando ela dá positivo. Se a coceira for muito forte, se aparecerem bolhas grandes ou dor, avise o serviço.

Gestante pode fazer teste de contato?

A diretriz da ESCD sugere não fazer o teste na gravidez e na amamentação, porque há poucos dados, embora não se conheça dano. Em casos especiais, quando o benefício para a mãe é grande, ele pode ser considerado. Converse com o seu médico.

Como entender o resultado

O médico avalia cada ponto pela aparência: vermelhidão, endurecimento, bolinhas e bolhas. A reação é classificada em negativa, duvidosa, irritativa ou positiva (de fraca a muito forte).

Costas de uma paciente depois da retirada dos adesivos do teste de contato, com as áreas marcadas à caneta para as leituras
Foto: Smirkybec, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Um teste positivo mostra que você tem alergia àquela substância. O médico então avalia se ela explica a sua dermatite, olhando onde a pele reage e o que você usa. Por isso a conversa final é tão importante quanto as leituras.

Um teste negativo também é informação: pode apontar para dermatite irritativa ou outra doença de pele.

O teste pode causar alergia?

É uma dúvida comum. A diretriz da ESCD diz que ficar alérgico por causa do próprio teste é extremamente raro com as substâncias padronizadas, nas doses recomendadas, e que os benefícios superam de longe os riscos.

Teste de contato tem no SUS?

Tem. O protocolo do Ministério da Saúde sobre dermatite atópica cita o procedimento "Testes alérgicos de contato" (código 02.02.03.114-4) na tabela do SUS. A oferta depende da rede de cada lugar, e o caminho começa com o encaminhamento: pergunte na UBS como funciona na sua cidade.

Depois do resultado

Peça ao médico o nome de cada substância positiva e seus outros nomes, como aparecem no rótulo. A diretriz da ESCD recomenda que o médico converse sobre todos os resultados positivos e mostre como achar a substância nos rótulos (pelo nome INCI). Com isso fica mais fácil desviar dela. Para o que vem depois, veja tratamento da dermatite de contato e, se deu níquel, alergia a níquel.

Se durante o teste aparecer falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, ligue 192 (SAMU). É extremamente raro (a diretriz da ESCD estima cerca de 1 caso de anafilaxia em 100 mil pessoas testadas), mas é emergência.

Na comunidade do Alergias Brasil, muita gente conta como foi o próprio teste, e isso ajuda a ir mais tranquilo.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura o teste de contato?

Os adesivos ficam dois dias nas costas, e as leituras vão até o dia 3 ou 4 e, de preferência, até cerca do dia 7. No total, costuma levar uma semana.

Pode tomar banho durante o teste de contato?

As costas não podem molhar enquanto os adesivos estão colados. Para os dias entre as leituras, vale perguntar ao serviço como fazer.

Teste de contato é o mesmo que prick test?

Não. O teste de contato investiga alergia tardia na pele, com leituras em dias. O prick test procura alergias ligadas ao IgE, como alimentar e respiratória, com resultado em minutos.

Teste de contato é exame de sangue?

Não. É feito na pele, com adesivos nas costas.

Teste de contato tem no SUS?

Sim. O procedimento "Testes alérgicos de contato" está na tabela do SUS. O acesso é por encaminhamento, a partir da UBS.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.