Neste texto (9 partes)
O teste de contato, também chamado de patch test, é o exame que descobre a que substâncias a pele tem alergia de contato. Pequenas quantidades de cada substância são coladas nas costas com adesivos, que ficam ali por dois dias. O médico faz pelo menos duas leituras, em dias diferentes, para ver onde a pele reagiu. Não é exame de sangue e não é o mesmo que o prick test.
É o exame padrão para investigar a dermatite de contato alérgica. Abaixo, o passo a passo, segundo a diretriz da Sociedade Europeia de Dermatite de Contato (ESCD), atualizada em 2026.
Para que serve o teste de contato
Ele serve para descobrir qual substância está causando a dermatite, quando o médico suspeita de alergia de contato. Com o nome em mãos, dá para procurar no rótulo e desviar dela no dia a dia.
Ele detecta a alergia do tipo tardio, que aparece de um a alguns dias depois do contato. Por isso o exame leva vários dias, e não minutos.
Teste de contato, patch test e prick test: qual a diferença
- Teste de contato e patch test são a mesma coisa, com nomes em português e em inglês.
- Prick test (teste de puntura, ou teste cutâneo de leitura imediata) é outro exame: uma gota do alérgeno e uma picadinha no braço, com resultado em minutos. Ele procura alergias ligadas ao anticorpo IgE, como alergia alimentar e rinite.
- Exame de sangue (IgE específica) também é para outro tipo de alergia e não substitui o teste de contato.
Como é feito, dia a dia
O esquema mais usado, segundo a diretriz da ESCD (2026), é:
- Dia 0 (D0): as substâncias, em câmaras pequenas presas por esparadrapo, são coladas nas costas, na parte de cima. Se não houver espaço, podem ir para o lado de fora dos braços ou das coxas.
- Dia 2 (D2): os adesivos são retirados depois de dois dias de contato, e o médico faz a primeira leitura.
- Dia 3 ou 4 (D3/D4): nova leitura, considerada obrigatória pela diretriz.
- Por volta do dia 7 (D7): a diretriz considera ideal mais uma leitura, porque algumas substâncias, como corticoides, ouro, acrilatos de unha e alguns antibióticos (como a neomicina), só reagem mais tarde. Sem essa leitura, de 7% a 30% dessas alergias podem passar despercebidas.
O médico marca as costas com caneta para saber onde estava cada substância. Os horários e dias podem mudar conforme o serviço.

Quais substâncias são testadas
No Brasil, há uma bateria padrão com as substâncias que mais dão alergia. A usada há mais de 20 anos tem 30 substâncias, e a Sociedade Brasileira de Dermatologia propôs em 2026 uma nova, com 40 (Bonamigo et al., 2026). Existem baterias extras, como a de cosméticos e a capilar, que o médico acrescenta conforme a suspeita (An Bras Dermatol, 2019).
Produtos que você usa também podem ser testados. A diretriz da ESCD descreve como testar cosméticos que ficam na pele, xampus e sabonetes diluídos e materiais sólidos. Por isso, vale levar à consulta os produtos de que você desconfia, na embalagem original.
Cuidados antes do teste
Alguns fatores podem atrapalhar o resultado. A diretriz da ESCD cita:
- sol ou bronzeamento nas costas nas 2 a 4 semanas anteriores;
- pomadas de corticoide ou de tacrolimo nas costas na semana ou nas duas semanas anteriores, conforme a força;
- remédios que diminuem a imunidade, como corticoides por boca em dose alta, e também imunobiológicos e remédios da família dos inibidores de JAK, que podem esconder reações;
- dermatite ativa forte ou espalhada, principalmente nas costas.
Nenhum remédio deve ser interrompido por conta própria. Leve a lista do que você usa (pomadas e comprimidos) para o médico, que vai dizer o que fazer com cada um. Antialérgicos, por exemplo, são um ponto em que os especialistas divergem, e cabe ao médico decidir.
Durante o teste: o que pode e o que não pode
A diretriz diz que a pessoa deve ser orientada a evitar:
- molhar as costas, inclusive no chuveiro, enquanto os adesivos estão lá;
- sol ou luz ultravioleta na área;
- exercício pesado;
- pressão nos adesivos, que pode descolá-los.
O serviço explica como fazer nos dias entre as leituras.
Coçar um pouco no lugar de uma substância é comum quando ela dá positivo. Se a coceira for muito forte, se aparecerem bolhas grandes ou dor, avise o serviço.
Gestante pode fazer teste de contato?
A diretriz da ESCD sugere não fazer o teste na gravidez e na amamentação, porque há poucos dados, embora não se conheça dano. Em casos especiais, quando o benefício para a mãe é grande, ele pode ser considerado. Converse com o seu médico.
Como entender o resultado
O médico avalia cada ponto pela aparência: vermelhidão, endurecimento, bolinhas e bolhas. A reação é classificada em negativa, duvidosa, irritativa ou positiva (de fraca a muito forte).

Um teste positivo mostra que você tem alergia àquela substância. O médico então avalia se ela explica a sua dermatite, olhando onde a pele reage e o que você usa. Por isso a conversa final é tão importante quanto as leituras.
Um teste negativo também é informação: pode apontar para dermatite irritativa ou outra doença de pele.
O teste pode causar alergia?
É uma dúvida comum. A diretriz da ESCD diz que ficar alérgico por causa do próprio teste é extremamente raro com as substâncias padronizadas, nas doses recomendadas, e que os benefícios superam de longe os riscos.
Teste de contato tem no SUS?
Tem. O protocolo do Ministério da Saúde sobre dermatite atópica cita o procedimento "Testes alérgicos de contato" (código 02.02.03.114-4) na tabela do SUS. A oferta depende da rede de cada lugar, e o caminho começa com o encaminhamento: pergunte na UBS como funciona na sua cidade.
Depois do resultado
Peça ao médico o nome de cada substância positiva e seus outros nomes, como aparecem no rótulo. A diretriz da ESCD recomenda que o médico converse sobre todos os resultados positivos e mostre como achar a substância nos rótulos (pelo nome INCI). Com isso fica mais fácil desviar dela. Para o que vem depois, veja tratamento da dermatite de contato e, se deu níquel, alergia a níquel.
Se durante o teste aparecer falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, ligue 192 (SAMU). É extremamente raro (a diretriz da ESCD estima cerca de 1 caso de anafilaxia em 100 mil pessoas testadas), mas é emergência.
Na comunidade do Alergias Brasil, muita gente conta como foi o próprio teste, e isso ajuda a ir mais tranquilo.
Fontes
- Uter W et al. ESCD Guideline for Diagnostic Patch Testing, Update 2026. Contact Dermatitis
- Johansen JD et al. ESCD guideline for diagnostic patch testing. Contact Dermatitis, 2015
- Bonamigo RR et al. Nova bateria padrão brasileira de testes de contato. An Bras Dermatol, 2026
- Diagnóstico da dermatite de contato por cosméticos. An Bras Dermatol, 2019
- Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica (2025)
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura o teste de contato?
Os adesivos ficam dois dias nas costas, e as leituras vão até o dia 3 ou 4 e, de preferência, até cerca do dia 7. No total, costuma levar uma semana.
Pode tomar banho durante o teste de contato?
As costas não podem molhar enquanto os adesivos estão colados. Para os dias entre as leituras, vale perguntar ao serviço como fazer.
Teste de contato é o mesmo que prick test?
Não. O teste de contato investiga alergia tardia na pele, com leituras em dias. O prick test procura alergias ligadas ao IgE, como alimentar e respiratória, com resultado em minutos.
Teste de contato é exame de sangue?
Não. É feito na pele, com adesivos nas costas.
Teste de contato tem no SUS?
Sim. O procedimento "Testes alérgicos de contato" está na tabela do SUS. O acesso é por encaminhamento, a partir da UBS.