Neste texto (7 partes)
Dermatite de contato é a inflamação da pele que aparece no lugar onde ela encostou em alguma substância. Ela tem dois tipos: a irritativa, quando o produto agride a pele de qualquer pessoa, e a alérgica, quando o corpo aprende a reagir a uma substância específica, como o níquel da bijuteria, um perfume ou a tinta de cabelo. Não é contagiosa, e a causa da forma alérgica é descoberta com o teste de contato.
Este é o texto de entrada da comunidade de dermatite de contato do Alergias Brasil. Aqui está o básico, e os outros textos aprofundam cada parte.
Dermatite de contato irritativa e alérgica: qual a diferença
As duas podem deixar a pele igualzinha: vermelha, com coceira, descamando, às vezes com bolhinhas. O que muda é o mecanismo.

Irritativa
- A substância machuca a pele diretamente, sem alergia envolvida.
- Pode acontecer com qualquer pessoa, dependendo da quantidade e do tempo de contato.
- Exemplos comuns: sabão, detergente, produtos de limpeza e água demais nas mãos. Veja dermatite de contato irritativa.
Alérgica
- O sistema de defesa "aprende" a reconhecer uma substância e passa a reagir a ela sempre que há contato. Por que isso pode acontecer depois de anos usando o mesmo produto está em dermatite de contato alérgica.
- É uma alergia do tipo tardio, que não depende do anticorpo IgE das alergias alimentares. A reação costuma aparecer de um a três dias depois do contato (24 a 72 horas), como descreve a DermNet, e às vezes mais tarde: por isso a diretriz europeia do teste de contato pede leituras até cerca de uma semana depois (ESCD, 2026).
- Esse atraso confunde: a pessoa pinta o cabelo na sexta e só vê a pele piorar no domingo, e nem desconfia da tinta.
- Uma vez instalada, a alergia de contato costuma acompanhar a pessoa. No caso do níquel, a Academia Americana de Pediatria diz que não há cura, e o cuidado é evitar o contato.
Dá para ter as duas ao mesmo tempo, e elas também podem aparecer junto com a dermatite atópica. O protocolo do Ministério da Saúde sobre dermatite atópica lembra que a dermatite de contato pode ser difícil de diferenciar da atópica e que as duas podem coexistir.
Sintomas da dermatite de contato
- vermelhidão e coceira;
- bolhinhas, às vezes com líquido;
- descamação e pele grossa, quando o contato se repete por muito tempo;
- ardor, mais comum na irritativa.
A pista principal é o lugar. A dermatite costuma aparecer exatamente onde o objeto ou produto encostou:
- lóbulo da orelha: brinco;
- pescoço e pulso: colar, relógio, pulseira;
- barriga, perto do umbigo: botão da calça ou fivela do cinto;
- pálpebras: esmalte (as mãos tocam os olhos; veja alergia a esmalte), maquiagem;
- couro cabeludo, testa e rosto: tinta de cabelo (veja alergia a tinta de cabelo e dermatite de contato no rosto);
- axilas: desodorante (veja alergia a desodorante);
- mãos: luvas, produtos de limpeza, cimento.

Causas mais comuns no Brasil
Os números brasileiros vêm de pessoas que fizeram o teste porque já tinham suspeita de dermatite de contato, não da população em geral.
- No estudo da Sociedade Brasileira de Dermatologia com 567 pacientes (2023 a 2025), o níquel foi a substância que mais deu reação: 28,9%, e 69,3% tiveram pelo menos um teste positivo (Bonamigo et al., 2026).
- Numa revisão de 10 estudos brasileiros com 4.703 pacientes, as substâncias que mais reagiram foram o níquel (31,8%), o timerosal (15,5%), o cobalto (10,7%), o dicromato de potássio, presente no cimento e no couro (9,0%), a parafenilenodiamina (PPD), da tinta de cabelo e da henna preta (7,8%), a mistura de fragrâncias (7,7%), a neomicina (7,1%) e um conservante de cosméticos chamado Kathon CG (3,2%) (Bueno, Aguzzoli e Bonamigo, 2025).

Na Europa, um estudo com a população em geral encontrou alergia de contato a pelo menos uma substância em 27% dos adultos, mais em mulheres, com o níquel na frente (14,5%) (Diepgen et al., 2016). Nesse mesmo estudo, ter dermatite atópica não aumentou a chance de ter alergia de contato. Não há estudo igual feito na população brasileira.
O níquel tem um texto só dele: alergia a níquel.
Como descobrir a causa
O exame que identifica a dermatite de contato alérgica é o teste de contato, também chamado de patch test. Adesivos com várias substâncias ficam colados nas costas por dois dias, e o médico faz leituras em dias diferentes (ESCD, 2026).
Ele não é exame de sangue e não é o mesmo que o prick test (teste de puntura), usado para alergias alimentares e respiratórias. Explicamos tudo em teste de contato.
Para a forma irritativa, não existe teste que dê positivo: o diagnóstico vem da história e do exame da pele.
Como é o tratamento
O tratamento tem duas partes: descobrir e afastar a causa e acalmar a pele. A segunda é decidida pelo dermatologista ou pelo alergista, conforme o lugar e a intensidade. Detalhamos em tratamento da dermatite de contato.
Ler o rótulo ajuda
No Brasil, a RDC 530/2021 da Anvisa obriga os cosméticos a informar no rótulo, pelo nome técnico (INCI), alguns componentes de fragrância que mais dão alergia, quando passam de 0,001% em produtos que ficam na pele ou de 0,01% em produtos que são enxaguados (artigo 6º; a norma recebeu ajustes pela RDC 806/2023). Para quem já sabe que tem alergia a um deles, isso ajuda a escolher produtos.
Sinais de alerta
- Inchaço no rosto, nas pálpebras ou nos lábios depois de tinta de cabelo ou henna, com falta de ar, chiado, rouquidão ou tontura: ligue 192 (SAMU). Veja também a página de anafilaxia.
- Bolhas grandes, ferida que parece queimadura, febre, pus ou pele piorando e se espalhando rápido: procure atendimento médico no mesmo dia.
Na comunidade do Alergias Brasil você encontra gente que já passou pelo teste, descobriu a causa e aprendeu a desviar dela no dia a dia.
Fontes
- Uter W et al. ESCD Guideline for Diagnostic Patch Testing, Update 2026. Contact Dermatitis
- Bonamigo RR et al. Estudo multicêntrico da SBD sobre a nova bateria padrão de testes de contato. An Bras Dermatol, 2026
- Bueno ALA, Aguzzoli NHG, Bonamigo RR. Revisão sistemática da bateria padrão brasileira. An Bras Dermatol, 2025
- Diepgen TL et al. Prevalência de alergia de contato na população geral europeia (EDEN). Br J Dermatol, 2016
- Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica (2025)
- Anvisa. RDC 530/2021
- Academia Americana de Pediatria (HealthyChildren). Alergia ao níquel
- DermNet (Nova Zelândia). Dermatite de contato alérgica
Perguntas frequentes
Dermatite de contato é contagiosa?
Não. Ela é uma reação da própria pele a uma substância e não passa para outra pessoa.
Dermatite de contato é o mesmo que dermatite atópica?
Não. A atópica é uma doença crônica da pele, de base genética. A de contato aparece onde a pele encostou numa substância. As duas podem existir na mesma pessoa, e o médico ajuda a separar.
Quanto tempo depois do contato aparece a alergia?
Na forma alérgica, costuma aparecer de um a três dias depois do contato, às vezes mais, o que faz muita gente não desconfiar da causa. A irritativa pode aparecer em minutos ou horas.
Dermatite de contato tem cura?
A alergia de contato costuma acompanhar a pessoa, mas a pele melhora quando o contato com a substância é evitado. Por isso descobrir a causa é o passo mais importante.
Como saber o que causou minha dermatite de contato?
Com o teste de contato (patch test), pedido pelo dermatologista ou pelo alergista. Anotar o que você usou dias antes de cada crise também ajuda.