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Dermatite de contato no trabalho: profissões, CAT e direitos

Dermatite de contato ocupacional atinge as mãos de quem trabalha em obra, limpeza, salão e cozinha. Veja as causas, a CAT e a quem recorrer.

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Mãos de pedreiro assentando tijolos com cimento e colher de pedreiro
Foto: Gowtham AGM, licença Pexels (uso livre), via Pexels
Neste texto (7 partes)
  1. O tamanho do problema
  2. Profissões mais atingidas
  3. As substâncias mais comuns
  4. Como saber se é do trabalho
  5. O que diz a lei
  6. A quem recorrer
  7. Quando procurar atendimento e quando ligar 192

Dermatite de contato ocupacional é a dermatite de contato causada ou piorada pelo que a pessoa toca no trabalho: cimento, produtos de limpeza, tintura de cabelo, luvas de borracha, metais, água e sabão o dia inteiro. É a doença de pele mais comum ligada ao trabalho e atinge principalmente as mãos. Pela lei brasileira, quando o médico liga a doença ao trabalho, ela pode ser tratada como doença do trabalho, com direito à comunicação ao INSS (a CAT). Quem avalia essa ligação é o médico, de preferência o médico do trabalho.

Aqui estão as profissões mais atingidas, as substâncias mais comuns, o que a lei diz e a quem recorrer.

O tamanho do problema

Um protocolo do Ministério da Saúde estima que as dermatites de contato, alérgica e irritativa juntas, respondem por cerca de 90% das doenças de pele ligadas ao trabalho (Ministério da Saúde, Dermatoses ocupacionais, 2006).

As notificações oficiais mostram o perfil no Brasil. Entre 2007 e 2012, o SINAN registrou 3.027 casos de dermatose ocupacional: 61,4% em homens, com a faixa de 35 a 49 anos como a mais comum; a construção civil respondeu por 28,7% dos casos e os serviços domésticos por 18%; as mãos foram o lugar mais atingido; e o cromo foi o agente mais citado (13,9%) (Plombom et al., 2016). Os próprios autores lembram que a doença é subnotificada: muita gente não procura atendimento.

Profissões mais atingidas

Os estudos brasileiros apontam sempre os mesmos grupos:

  • Construção civil: pedreiros, serventes, pintores. O cimento molhado irrita e tem cromo, que dá alergia.
  • Limpeza e serviço doméstico: faxineiras, diaristas, auxiliares de limpeza. Água, sabão, detergente, desinfetante e luvas de borracha.
  • Salão de beleza: cabeleireiros, manicures, esteticistas. Tintura com PPD, química de alisamento, acrilatos de unha, água e xampu.
  • Cozinha: cozinheiros e auxiliares. Mãos molhadas, detergente, alimentos.
  • Mecânica e metalurgia: óleos, fluidos de corte, metais.
  • Saúde: lavagem das mãos o tempo todo, álcool, luvas.

Num serviço de dermatologia ocupacional da Fiocruz, no Rio de Janeiro, as profissões mais vistas foram faxineiros, trabalhadores da construção, pintores, mecânicos e metalúrgicos e cozinheiros (Melo, Villarinho e Leite, 2019). Num ambulatório de alergia de São Paulo, as atividades mais comuns foram o trabalho doméstico (39%) e a construção (33%), e 70% dos casos estavam nas mãos (Duarte, Rotter e Lazzarini, 2010). E no estudo multicêntrico mais recente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a limpeza foi a ocupação mais frequente entre os testados (Bonamigo et al., 2026).

Cabeleireiros

Uma revisão de estudos de vários países calculou que 38,2% dos cabeleireiros têm eczema nas mãos em algum momento da vida, e que a maioria começa ainda como aprendiz. Como a dermatite atópica não era mais comum entre eles do que na população, os autores concluíram que o que pesa é a exposição do trabalho (Havmose et al., 2022). A tintura com PPD está em alergia a tinta de cabelo.

Pedreiros e o cimento

Num estudo com 97 trabalhadores do cimento em Taiwan, 65 tinham dermatite de contato nas mãos, com pele mais grossa no dorso da mão e na palma; 24 tinham alergia ao dicromato de potássio (o cromo) e outros reagiram à borracha das luvas e a fragrâncias (Wang et al., 2011). O Ministério da Saúde lembra ainda que o cimento molhado preso dentro da bota pode causar vermelhidão, ardor e depois ferida, como uma queimadura (Ministério da Saúde, 2006).

Infográfico dermatite de contato no trabalho: profissões mais atingidas (construção civil com cimento e cromo; limpeza e serviço doméstico com água, sabão e luvas; salão com tintura e acrilatos; cozinha; mecânica; saúde), substâncias mais comuns nos testes (dicromato, níquel, cobalto, borracha da luva, formaldeído), números do Brasil (3.027 casos notificados de 2007 a 2012, 28,7% na construção, mãos as mais atingidas) e o caminho: médico do trabalho ou da UBS, CAT, sindicato e Cerest. Inchaço no rosto com falta de ar: 192
Infográfico: Dermatite de contato · Alergias Brasil

As substâncias mais comuns

No serviço da Fiocruz, as substâncias que mais deram reação no teste de contato foram o sulfato de níquel, o dicromato de potássio (cromo), o cloreto de cobalto, o carba-mix (borracha) e o formaldeído (Melo, Villarinho e Leite, 2019). Em São Paulo, o dicromato apareceu em 41% dos casos ligados ao trabalho, o níquel em 23% e o carba-mix em 23% (Duarte, Rotter e Lazzarini, 2010).

Mas não é só alergia. A forma irritativa, causada por água, sabão e produtos de limpeza, é muito comum no trabalho e está explicada em dermatite irritativa de contato. As mãos, que são as mais atingidas, têm um texto próprio: dermatite de contato nas mãos.

Como saber se é do trabalho

Algumas pistas que vale contar ao médico:

  • a pele melhora nas férias ou nos fins de semana e piora na volta;
  • começou depois de mudar de função, de produto ou de luva;
  • colegas que fazem o mesmo serviço têm algo parecido;
  • a mancha fica onde o material encosta (mãos, punhos, antebraços, pés dentro da bota).

A diretriz europeia do teste de contato recomenda que, na suspeita de dermatite ocupacional, o médico avalie a relação com o trabalho, o lugar da pele, o material usado e a substância encontrada no teste (ESCD 2026). Por isso vale levar para a consulta a ficha técnica ou as fotos dos rótulos dos produtos usados no serviço. Veja como o exame é feito em teste de contato.

Mulher de cabelo cacheado limpando uma mesa com luvas laranja, numa sala
Foto: Tima Miroshnichenko, via Pexels

O que diz a lei

A Lei 8.213/1991, que trata dos benefícios do INSS, considera como acidente do trabalho a doença profissional e a doença do trabalho, "adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente" (art. 20). A mesma lei diz que a empresa deve comunicar o acidente do trabalho à Previdência até o primeiro dia útil seguinte e que, se a empresa não fizer, a comunicação (a CAT) pode ser feita pelo próprio trabalhador, pelos dependentes, pelo sindicato, pelo médico que atendeu ou por qualquer autoridade pública (art. 22) (Lei 8.213/1991).

A dermatite de contato está na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde, atualizada pela Portaria GM/MS nº 1.999/2023, com os códigos L23, L24 e L25. Os códigos e o que eles mudam no atestado estão em CID da dermatite de contato.

Estar na lista não quer dizer que todo caso seja do trabalho, nem garante afastamento ou benefício. Isso depende da avaliação médica, da perícia do INSS e de regras próprias, e este texto não consegue dizer se você tem direito.

A quem recorrer

  • Médico do trabalho da empresa ou o médico que acompanha você, na UBS ou no convênio.
  • Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) da sua região, que é do SUS.
  • Sindicato da sua categoria, que pode orientar e até emitir a CAT.
  • Dermatologista ou alergista, para o diagnóstico e o teste de contato.

O cuidado com a pele é decidido pelo médico. Veja como ele é pensado em dermatite de contato: tratamento. Dá para continuar trabalhando bem com informação: muita gente melhora quando descobre a substância e ajusta a luva, o produto ou a tarefa.

Quando procurar atendimento e quando ligar 192

Procure atendimento no mesmo dia se houver bolhas grandes, ferida que parece queimadura (como depois de cimento dentro da bota), pus, febre ou dor forte. Ligue 192 (SAMU) se aparecer inchaço no rosto, nos lábios ou na língua com falta de ar, chiado, dificuldade para engolir, tontura ou desmaio.

Perguntas frequentes

Dermatite de contato é doença ocupacional?

Pode ser. Ela está na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde, e a Lei 8.213/1991 trata a doença do trabalho como acidente do trabalho. Mas a ligação com o trabalho, em cada caso, é avaliada pelo médico e, para benefícios, pela perícia do INSS.

Quem pode abrir a CAT por dermatite de contato?

A empresa deve comunicar. Se ela não fizer, a lei permite que a CAT seja feita pelo próprio trabalhador, pelos dependentes, pelo sindicato, pelo médico que atendeu ou por uma autoridade pública.

Dermatite de contato dá afastamento?

Depende da gravidade, da avaliação do médico e da perícia. Não há resposta igual para todos. Converse com o médico do trabalho, o sindicato ou o Cerest da sua região.

Dermatite de contato pode aposentar?

Não dá para responder de forma geral: aposentadoria e benefícios dependem de perícia e de regras próprias do INSS. O mais útil é ter o diagnóstico, o resultado do teste de contato e o registro da ligação com o trabalho, e buscar orientação no sindicato, no Cerest ou com um profissional da área.

Quais profissões têm mais dermatite de contato?

No Brasil, os estudos apontam construção civil, limpeza e serviço doméstico, salão de beleza, cozinha, pintura, mecânica e saúde. Nesses trabalhos, as mãos ficam molhadas ou em contato com produtos químicos boa parte do dia.

Na comunidade do Alergias Brasil, quem tem dermatite de contato troca experiência sobre luvas, produtos e como conversar com a empresa e com o médico do trabalho. Vem conversar com a gente.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.