Rótulo e compras

Gergelim no rótulo: por que ele não aparece em "Alérgicos"

Gergelim no rótulo: no Brasil ele não é alergênico obrigatório no aviso "Alérgicos: contém". Veja como ler a lista de ingredientes e o que pode mudar.

Compartilhar no WhatsApp
Pão de hambúrguer com sementes de gergelim, aberto, sobre base de cortiça
Foto: Vicky Nguyen, licença Unsplash (uso livre), via Unsplash
Neste texto (6 partes)
  1. O que diz a regra do rótulo no Brasil
  2. Gergelim no rótulo: como ler na prática
  3. Onde o gergelim costuma aparecer
  4. Como é lá fora
  5. O que pode mudar: a consulta pública da Anvisa
  6. Por que isso importa tanto

No Brasil, o gergelim não é um alergênico de declaração obrigatória. Ele não está na lista da Anvisa que exige o aviso "Alérgicos: contém", então um produto com gergelim pode não trazer esse alerta. Para quem tem alergia a gergelim, o caminho é ler a lista de ingredientes inteira e, na dúvida, perguntar ao fabricante.

Nos Estados Unidos e na União Europeia é diferente: lá o gergelim tem aviso obrigatório. A Anvisa já propôs incluí-lo por aqui, mas, quando este texto foi escrito, a mudança ainda não estava valendo.

O que diz a regra do rótulo no Brasil

A RDC 26/2015 da Anvisa, hoje reunida na RDC 727/2022RDC_727_2022_COMP.pdf/8167fbac-395a-4189-ab43-024e4d3aa667), obriga o aviso "Alérgicos: contém" para uma lista de alimentos:

  • Trigo, centeio, cevada, aveia e suas variedades híbridas.
  • Crustáceos.
  • Ovos.
  • Peixes.
  • Amendoim.
  • Soja.
  • Leite de todos os mamíferos.
  • Amêndoa, avelã, castanha-de-caju, castanha-do-pará, macadâmia, nozes, pecã, pistache, pinoli e castanhas.
  • Látex natural.

O gergelim não está nessa lista. Por isso, o fabricante não é obrigado a destacar o gergelim no aviso de alergênicos, nem a avisar quando há risco de contaminação cruzada com ele (o famoso "pode conter").

Gergelim no rótulo: como ler na prática

Como o aviso não ajuda, a lista de ingredientes é a principal ferramenta. Algumas dicas:

  • Leia a lista inteira, não só o quadro de alergênicos. Um produto pode trazer "Alérgicos: contém trigo e soja" e ter gergelim no meio da lista sem nenhum destaque.
  • Conheça os outros nomes do gergelim: sésamo, tahine (ou tahini, a pasta de gergelim), óleo de gergelim e gersal (gergelim com sal). Em produto importado, aparecem também sesame, benne, til, gingelly e Sesamum indicum, segundo a Anaphylaxis UK.
  • O óleo de gergelim conta. Ele costuma ser não refinado e manter as proteínas que causam a reação, como explica a mesma Anaphylaxis UK.
  • Fique atento a nomes genéricos. Nos Estados Unidos, antes da regra nova, o CSPI alertava que o gergelim podia ficar escondido em termos como "aromas naturais" e "especiarias". Quando a lista traz algo assim e você tem dúvida, vale ligar no SAC do fabricante.
  • Releia a cada compra. A receita de um produto pode mudar.
  • Desconfie do "sem aviso". A ausência de "pode conter gergelim" não quer dizer que não há risco de contato na fábrica.
Infográfico gergelim no rótulo: no Brasil o gergelim não está na lista de alergênicos com aviso obrigatório, nem no pode conter. Leia a lista de ingredientes inteira, conheça os outros nomes (sésamo, tahine, óleo de gergelim, gersal) e ligue no SAC na dúvida. Nos EUA e na União Europeia o aviso é obrigatório; a Anvisa propôs incluir o gergelim na Consulta Pública 1.357/2025
Infográfico: Gergelim · Alergias Brasil

Onde o gergelim costuma aparecer

Alguns produtos que merecem atenção redobrada:

  • Pão de hambúrguer, pão sírio e pães e biscoitos "multigrãos".
  • Granola, barrinhas de cereal e "mix de sementes".
  • Comida árabe: esfiha, tahine, homus, babaganuche.
  • Comida japonesa e chinesa: sushi, temaki e pratos com óleo de gergelim.
  • Molhos e temperos prontos.

Em padarias, lanchonetes e restaurantes, não há rótulo. Aí vale perguntar se tem gergelim na receita e se a chapa, a esteira de sushi ou o forno são os mesmos usados com gergelim.

Pães com mistura de sementes, gergelim entre elas, ao lado de um pote do tempero
Foto: Diane Alkier, via Unsplash

Como é lá fora

  • Estados Unidos: desde 1º de janeiro de 2023, o gergelim é o 9º alergênico de declaração obrigatória em alimentos embalados, pela lei conhecida como FASTER Act, como explica a Registrar Corp. Em inglês, procure "sesame". Um efeito inesperado: algumas empresas passaram a colocar gergelim de propósito em produtos que antes não tinham, para não precisar controlar a contaminação cruzada. A FDA entendeu que isso não viola a lei, mas disse que não apoia a prática, e a FARE criticou. Por isso, mesmo lá, vale reler o rótulo de produtos que você já comprava.
  • União Europeia: o gergelim (sésamo) está entre os 14 alergênicos do Anexo II do Regulamento 1169/2011.

Isso ajuda quem viaja ou compra produto com rótulo original desses lugares.

O que pode mudar: a consulta pública da Anvisa

A Anvisa abriu a Consulta Pública nº 1.357/2025, de 31 de outubro de 2025, publicada no Diário Oficial em 3 de novembro de 2025, com contribuições de 10 de novembro de 2025 a 9 de março de 2026. A Anvisa explica que a revisão busca alinhar a regra brasileira ao Codex Alimentarius, que trata o gergelim como alergênico de relevância global. Segundo o Idec e o resumo da Fukuma Advogados, a proposta inclui gergelim, trigo-sarraceno, aipo, tremoço e mostarda na lista de alergênicos, com um aviso padronizado.

Na última conferência deste texto, em 12 de outubro de 2026, a consulta já estava encerrada, mas não encontramos a norma final publicada. Até ela sair e entrar em vigor, vale a regra atual: gergelim sem aviso obrigatório. Vamos atualizar este texto quando houver novidade.

Por que isso importa tanto

A alergia a gergelim pode ser grave. Segundo uma revisão de 2017, ela é uma causa importante de anafilaxia no Oriente Médio, e a evitação do alimento é a base do cuidado, com exposições acidentais sendo comuns. Num país em que o rótulo não avisa, a chance de um acidente é maior.

Se depois de comer algo aparecerem falta de ar, garganta fechando, inchaço na língua, tontura ou desmaio, ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro. Veja anafilaxia.

Para entender a alergia em si, leia alergia a gergelim.

Perguntas frequentes

O gergelim é alergênico obrigatório no rótulo no Brasil?

Não. O gergelim não está na lista da RDC 26/2015 da Anvisa, então o produto pode não trazer "Alérgicos: contém gergelim". A Anvisa propôs incluí-lo, mas a mudança ainda não estava valendo quando este texto foi escrito.

Como saber se um produto tem gergelim?

Lendo a lista de ingredientes inteira. Procure por gergelim, sésamo, tahine, gersal e óleo de gergelim (e sesame em produto importado). Na dúvida, pergunte ao fabricante.

"Pode conter gergelim" é obrigatório?

Não. Como o gergelim não está na lista de alergênicos, o aviso de contaminação cruzada também não é obrigatório para ele.

Nos Estados Unidos o gergelim aparece no rótulo?

Sim. Desde 2023 o gergelim é alergênico obrigatório nos alimentos embalados dos Estados Unidos, e na União Europeia ele também está na lista. Lá, algumas empresas passaram a pôr gergelim de propósito em produtos que antes não tinham, então vale reler o rótulo.

O que muda se a Anvisa incluir o gergelim?

Pela proposta da consulta pública, o gergelim passaria a ter aviso obrigatório, junto com trigo-sarraceno, aipo, tremoço e mostarda. Vale acompanhar a publicação da norma final.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.