Neste texto (8 partes)
O teste de alergia mais usado para rinite e asma é o prick test (teste de puntura): o médico pinga gotinhas de alérgenos, como ácaro, mofo e pelo de gato, na pele do braço ou das costas e faz uma picadinha bem superficial em cada uma. Se em poucos minutos aparecer uma pequena elevação vermelha que coça, o corpo está sensibilizado àquele alérgeno. Mas atenção: teste positivo, sozinho, não é diagnóstico. Ele precisa bater com os sintomas.
Vamos explicar como é feito, o que o resultado quer dizer e o que perguntar ao médico.
Para que serve o teste de alergia
O teste ajuda a responder a pergunta "alergia a quê?". Na rinite e na asma alérgica, os suspeitos mais comuns no Brasil são os ácaros da poeira, segundo as Diretrizes Brasileiras de Imunoterapia da AMB e da ASBAI, além de mofo, animais, barata e pólen.
Saber o que dispara a alergia serve para:
- focar os cuidados em casa no que importa (veja autocuidados para rinite alérgica);
- confirmar se uma suspeita faz sentido, como "será que é o gato?";
- avaliar se há indicação de vacina para rinite, que exige alergia comprovada por teste.
Como é feito o prick test
Em linhas gerais:
- O médico marca pontos na pele do antebraço ou das costas.
- Em cada ponto, pinga uma gota de um extrato de alérgeno. Também entram dois controles: um que deve dar positivo em todo mundo e outro que deve dar negativo.
- Com uma lanceta, faz uma picadinha bem superficial em cada gota, só na camada de cima da pele.
- Depois de alguns minutos, o médico mede o tamanho da reação em cada ponto.

O nome "leitura imediata" vem daí: o resultado sai na própria consulta.
Pela Resolução CFM 2.215/2018, indicar, supervisionar e interpretar os testes na pele com alérgenos é ato exclusivo do médico, e o consultório precisa ter estrutura e medicamentos de emergência, incluindo adrenalina. Isso não quer dizer que o teste seja perigoso, e sim que ele é feito num lugar preparado.
Prick test dói?
Costuma incomodar pouco: a picada é bem superficial. O que mais incomoda é a coceira nos pontos que dão positivo, que vai passando depois do teste. Para criança, vale explicar antes e levar algo para distrair.
Precisa de preparo?
Alguns remédios, como certos antialérgicos, podem atrapalhar o resultado. Por isso, quando marcar o teste, pergunte ao médico se é preciso suspender algum remédio e por quanto tempo. Remédio de asma ou de outra doença só deve ser suspenso com o OK de quem acompanha você.
Prick test ou exame de sangue?
Existem dois caminhos para procurar a sensibilização alérgica:
- Prick test (na pele): resultado na hora, feito no consultório.
- IgE específica (no sangue): mede anticorpos contra cada alérgeno no laboratório. Pode ser útil quando a pele não permite o teste ou quando a pessoa não pode ficar sem algum remédio.
As diretrizes da AMB e da ASBAI aceitam os dois para comprovar a alergia. A escolha depende de cada caso.
E não confunda com o teste de contato (patch test), aquele de adesivos que ficam dias nas costas. Ele procura outro tipo de alergia, a de pele por contato, e não é o teste usado para rinite.
Como entender o resultado

Aqui está o ponto que mais confunde: positivo não é igual a alérgico.
O teste mostra sensibilização, ou seja, que o corpo produz anticorpos contra aquele alérgeno. Tem gente com teste positivo para gato que convive com gato sem sintoma nenhum. Por isso as diretrizes da AMB e da ASBAI pedem que exista relação entre a sensibilização e os sintomas: o alérgeno do teste precisa combinar com a história da pessoa.
O contrário também vale: um teste negativo não apaga sintomas que existem. Pode ser rinite não alérgica, por exemplo, que tem outras causas.
Quem junta as peças é o médico. Peça para ele explicar cada positivo:
- Esse resultado combina com os meus sintomas?
- O que muda na minha casa ou rotina por causa dele?
- Isso muda o tratamento?
O teste serve para acompanhar o tratamento?
Não. Segundo as diretrizes da AMB e da ASBAI, o teste na pele não é um bom jeito de medir se a imunoterapia está funcionando nem de decidir quando parar. Quem mostra isso é a avaliação dos sintomas pelo médico.
Onde fazer
O teste é feito por alergista, em consultório ou serviço de alergia. Pelo SUS, o caminho costuma começar na UBS, com encaminhamento para o especialista. Pelo plano, vale conferir a cobertura antes.
Na comunidade do Alergias Brasil, muita gente compartilha como foi o primeiro teste e as perguntas que ajudaram na consulta. Para entender a doença por trás, veja rinite alérgica e asma alérgica.
Fontes
Perguntas frequentes
O que é prick test?
É o teste de alergia na pele: gotas de alérgenos são colocadas no braço ou nas costas e o médico faz uma picadinha superficial em cada uma. Se aparecer uma elevação vermelha em minutos, há sensibilização àquele alérgeno.
Teste de alergia positivo quer dizer que sou alérgico?
Não necessariamente. O positivo mostra sensibilização. Só é considerado alergia quando combina com os sintomas, e quem faz essa leitura é o médico.
Prick test dói?
Costuma incomodar pouco, porque a picada é bem superficial. A coceira nos pontos positivos é o que mais incomoda, e ela passa.
Precisa parar de tomar antialérgico antes do teste?
Alguns remédios podem atrapalhar o resultado. Pergunte ao médico, quando marcar o teste, se é preciso suspender algum e por quanto tempo. Remédio de asma só é suspenso com o OK do médico.
Criança pode fazer teste de alergia?
Pode, quando o médico indica. Ele avalia a idade e o melhor tipo de teste para cada criança.