Cuidados

Crise de asma: sinais, plano de ação e quando ligar 192

Crise de asma é a piora rápida da falta de ar, do chiado e da tosse. Veja os sinais, o que costuma ter no plano de ação e quando ligar 192.

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Médica de máscara segurando o nebulizador para uma menina sorridente no consultório
Foto: Gustavo Fring, via Pexels
Neste texto (7 partes)
  1. O que é uma crise de asma
  2. Sinais de uma crise de asma
  3. Crise de asma: quando ligar 192
  4. O que costuma ter no plano de ação
  5. Durante a crise: o que ajuda
  6. Depois da crise
  7. Asma é levada a sério no Brasil

Crise de asma é quando os sintomas da asma pioram de repente ou ao longo de horas: a falta de ar aumenta, o chiado e a tosse apertam e o peito fica pesado. A crise leve costuma melhorar com o remédio de alívio, do jeito que o plano de ação escrito pelo médico orienta. Falta de ar que não melhora, dificuldade para falar ou lábios arroxeados são emergência: ligue 192 (SAMU).

Ninguém precisa decorar protocolo. O que ajuda é saber reconhecer a crise, ter o plano de ação por escrito e saber a hora de pedir ajuda.

O que é uma crise de asma

Na asma, os brônquios (os canos que levam o ar até os pulmões) ficam inflamados e sensíveis. Na crise, eles se fecham ainda mais, incham e produzem muco, e o ar passa com dificuldade. O nome técnico é exacerbação.

Segundo o Protocolo da Asma do SUS, de 2026, os sintomas costumam ser disparados por:

  • infecções virais, como resfriado e gripe;
  • alérgenos, como ácaro da poeira, mofo e pelo de animais;
  • exercício físico, riso e ar frio;
  • mudanças de clima;
  • irritantes, como fumaça de cigarro.

Na asma alérgica, o gatilho principal é o alérgeno. Entenda em asma alérgica: o que é e como se controla.

Sinais de uma crise de asma

Os sinais mais comuns de que a asma está piorando:

  • falta de ar que aumenta;
  • chiado no peito;
  • tosse seca, que piora à noite e de madrugada;
  • aperto ou peso no peito;
  • acordar à noite por causa da asma;
  • precisar do remédio de alívio mais vezes que o normal.

Nas crianças pequenas, o protocolo do SUS lista como sinais iniciais: mais tosse (principalmente à noite), sintomas mais fortes, moleza, a criança brincando menos, comendo pior e o remédio de alívio funcionando menos.

Quando o chiado some, nem sempre é melhora

Um ponto importante: o protocolo explica que, na crise grave, o chiado pode até desaparecer, porque quase não está passando ar. Por isso, uma pessoa muito cansada, quieta e sem chiado pode estar pior, e não melhor.

Infográfico crise de asma: sinais de crise (falta de ar aumentando, chiado, tosse à noite, aperto no peito, remédio de alívio mais vezes), o que costuma ter no plano de ação escrito pelo médico e os sinais de emergência para ligar 192 (falta de ar que não melhora com o remédio de alívio, não consegue falar frases inteiras, lábios ou unhas arroxeados, costelas afundando, sonolência ou confusão)
Infográfico: Respiratória · Alergias Brasil

Crise de asma: quando ligar 192

Crise grave é emergência. Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro se houver:

  • falta de ar que não melhora com o remédio de alívio que o médico já indicou;
  • dificuldade para falar frases inteiras, para andar ou, no bebê, para mamar;
  • lábios ou unhas arroxeados;
  • costelas "afundando" ao respirar, respiração muito rápida;
  • sonolência, confusão ou muita agitação.

O SAMU faz parte da Linha de Cuidado da Asma do Ministério da Saúde, e quem atende o 192 orienta o que fazer até a ambulância chegar.

Se a falta de ar vier com inchaço nos lábios, na língua ou no rosto, coceira pelo corpo, ou logo depois de comer algo, de uma picada ou de um remédio, pode ser anafilaxia: também é 192.

Ambulância do SAMU 192 estacionada numa rua de Olinda, com o símbolo do serviço e a bandeira do Brasil
Foto: Prefeitura de Olinda, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

O que costuma ter no plano de ação

O plano de ação é um papel, escrito pelo médico para cada pessoa, que diz o que fazer quando a asma piora. O protocolo do SUS diz que toda pessoa com asma deve aprender a reconhecer os sinais de piora e ter um plano de ação por escrito, revisado em cada consulta. A GINA, referência mundial em asma, recomenda o mesmo.

Em geral, o plano traz:

  • os remédios do dia a dia, quando a asma está bem;
  • os sinais de piora e o que fazer com o remédio de alívio nesse momento;
  • quando procurar atendimento no mesmo dia, por exemplo se o remédio de alívio precisa ser repetido muitas vezes em poucas horas ou não está fazendo efeito;
  • os sinais de emergência e o telefone 192;
  • os contatos do médico e da unidade de saúde.

As doses, o número de jatos e os intervalos são do seu plano, e só dele. Por isso vale guardar uma foto do plano no celular e deixar uma cópia na escola, no trabalho e com quem cuida da criança.

Se você ainda não tem plano de ação, é um ótimo pedido para a próxima consulta. Na criança, veja asma em criança.

Durante a crise: o que ajuda

Sem substituir o plano do médico, algumas coisas costumam ajudar enquanto se usa o remédio de alívio:

  • manter a calma e falar com tranquilidade, principalmente com crianças;
  • ficar sentado, com o corpo um pouco para a frente, em vez de deitar;
  • afrouxar roupas apertadas;
  • sair de perto do que pode ter disparado a crise, como fumaça ou poeira;
  • conferir se a bombinha está sendo usada do jeito certo. Veja bombinha de asma: como usar.

Chá, vapor, xarope caseiro e simpatias não tratam a crise de asma. Se a falta de ar não melhora, a hora é de buscar atendimento.

Depois da crise

Mesmo quando a crise passa em casa, ela é um aviso de que a asma não está bem controlada. O protocolo do SUS recomenda, depois de uma crise grave, uma nova consulta em 2 a 7 dias (em 1 a 2 dias, para crianças). Nessa volta, o médico costuma:

  • conferir se a crise passou de vez;
  • descobrir o que pode ter disparado;
  • olhar a técnica da bombinha e se o remédio de controle está sendo usado;
  • revisar ou entregar o plano de ação por escrito.

O protocolo também lembra que tratar a asma só com a bombinha de alívio não é recomendado, porque aumenta o risco de crises graves. Ter crises com frequência é motivo para rever o tratamento, nunca para se acostumar.

Asma é levada a sério no Brasil

Asma é comum e, na maior parte do tempo, controlável. Mas a crise grave existe: segundo o protocolo do SUS, o SUS teve 87.707 internações por asma em 2023, e o Brasil registrou em média 6 mortes por asma por dia entre 2014 e 2021. É por isso que plano de ação, remédio de controle e técnica certa fazem tanta diferença.

Na comunidade do Alergias Brasil, a gente troca experiência sobre crise de madrugada, bombinha na escola e como montar a rotina depois de uma internação. Quem decide o tratamento é o médico; a comunidade ajuda no dia a dia.

Perguntas frequentes

Crise de asma: o que fazer?

Fazer o que está no plano de ação escrito pelo médico, que costuma começar pelo remédio de alívio, e ficar sentado e calmo. Se a falta de ar não melhora, se a pessoa não consegue falar frases inteiras ou se os lábios ficam roxos, ligue 192.

Quanto tempo dura uma crise de asma?

Varia: uma crise leve pode passar em minutos com o remédio de alívio; outras duram horas ou dias. Crise que não melhora com o que o médico indicou é motivo para buscar atendimento.

Crise de asma pode matar?

A crise grave pode ser fatal, e por isso os sinais de emergência pedem 192 na hora. Com remédio de controle, técnica certa e plano de ação, o risco cai muito.

O que fazer numa crise de asma sem bombinha?

Ligar 192 ou ir ao pronto-socorro, manter a pessoa sentada e calma e afastá-la de fumaça ou poeira. Chá, vapor e simpatias não tratam a crise.

Crise de asma em criança: quando ir ao hospital?

Quando a criança está prostrada, não melhora com o remédio de alívio, piora ou precisa dele muitas vezes em poucas horas, principalmente se for bebê com menos de 1 ano. Lábios roxos ou dificuldade para respirar e mamar: 192.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.