Neste texto (8 partes)
Dermatite atópica é uma doença crônica e inflamatória da pele, que não é contagiosa, marcada por pele seca e coceira intensa que vão e voltam em crises. Também é chamada de eczema atópico (veja o que é eczema). Ela aparece mais em crianças, mas também atinge adultos, e tem controle: com cuidados diários e acompanhamento médico, dá para passar mais tempo com a pele calma.
Este é o texto de entrada da comunidade de dermatite atópica do Alergias Brasil. Aqui está o básico; os outros textos aprofundam cada parte.
O que é dermatite atópica, explicado de um jeito simples
Pense na pele como um muro. Na dermatite atópica, esse muro tem falhas: faltam algumas das "gorduras" e proteínas que seguram a água e protegem a pele, como as ceramidas e a filagrina. O protocolo do Ministério da Saúde sobre dermatite atópica (PCDT, 2025) explica que, com a barreira falha, a pele perde água, fica seca e deixa entrar irritantes e alérgenos. O sistema de defesa responde com inflamação, e aí vêm a vermelhidão e a coceira. Veja em detalhe o que causa a dermatite atópica e o que faz ela piorar.
Coçar machuca a pele, a barreira piora e a coceira aumenta. É o chamado ciclo coceira-arranhão, que muita família conhece bem às 3 da manhã.

Quem tem dermatite atópica
- Crianças: no Brasil, um levantamento de 2006 encontrou 12,1% das crianças de 6 e 7 anos e 10,2% dos adolescentes de 13 e 14 anos com eczema já diagnosticado por médico, segundo dados citados no PCDT.
- Começo cedo: a ASBAI conta que cerca de 60% dos casos começam no primeiro ano de vida.
- Adultos: num inquérito com 300 mil pessoas em 88 municípios, 2,3% dos adultos brasileiros tinham a doença, e os adultos são um terço dos casos novos (PCDT).
Ela costuma aparecer em famílias com outras alergias. A dermatite atópica faz parte do grupo das doenças "atópicas", junto com a rinite alérgica e a asma, e uma mesma pessoa pode ter uma, duas ou as três. Entenda melhor em o que é atopia.
Sintomas da dermatite atópica por idade
O sinal principal é a coceira, acompanhada de pele seca. O lugar das lesões muda com a idade, como descreve o PCDT:
- Bebês (0 a 2 anos): manchas vermelhas, às vezes com bolhinhas e secreção, no rosto, nas bochechas e no tronco. A área da fralda costuma ficar de fora.
- Crianças e adolescentes: lesões mais secas e localizadas, nas dobras dos braços e das pernas, que podem engrossar com o tempo.
- Adultos: eczema crônico nas mãos, ou lesões no pescoço, na cabeça, na parte de cima do tronco, nos ombros e no couro cabeludo.
O PCDT lembra que, em pele mais escura, é comum aparecerem bolinhas em volta dos pelos. Mais detalhes em sintomas de dermatite atópica.

O que causa e o que piora
Não existe uma causa única. É uma mistura de genética e ambiente. O que costuma piorar as crises, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia e a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde:
- banho quente e demorado, excesso de sabonete e bucha;
- suor, calor e ar seco;
- roupas de lã ou tecidos ásperos;
- perfumes e produtos irritantes;
- estresse, que aumenta a coceira;
- em algumas pessoas, alérgenos do ar, como pólen e pelo de animais, que o PCDT cita entre os gatilhos possíveis.
E a comida? Quem tem dermatite atópica tem mais risco de alergia alimentar, e essa ligação é mais importante na primeira infância. Mas tirar alimentos por conta própria não trata a pele. O PCDT diz que o padrão-ouro para confirmar alergia alimentar é o teste de provocação oral, feito em serviço preparado. A diretriz das associações americanas de alergia (AAAAI/ACAAI, 2023) vai na mesma linha e não recomenda dietas de exclusão para tratar a dermatite, porque o ganho na pele é pequeno e tirar alimentos por muito tempo pode aumentar o risco de alergia alimentar (Chu et al., 2023). Se você desconfia de algum alimento, anote e converse com o alergista.
Como é o diagnóstico
O diagnóstico é clínico: o médico examina a pele e conversa sobre a história. Não existe um exame de sangue que, sozinho, confirme a dermatite atópica. O PCDT usa critérios como os de Hanifin e Rajka ou os do grupo de trabalho do Reino Unido, que juntam coceira, local das lesões, pele seca e histórico pessoal ou familiar de alergias.
Às vezes o médico pede outros exames para separar a dermatite atópica de doenças parecidas, como a dermatite de contato, a dermatite seborreica, a sarna e a psoríase.
Como é o tratamento
O tratamento é em degraus, de acordo com a gravidade e a idade (o caminho completo está em tratamento da dermatite atópica). Em linhas gerais, o PCDT e a diretriz europeia (EuroGuiDerm) descrevem:
- Base para todo mundo: hidratante todos os dias, banho morno e curto, sabonete suave e atenção ao que piora.
- Nas crises: pomadas ou cremes anti-inflamatórios receitados pelo médico.
- Casos moderados a graves: remédios por boca que controlam o sistema imune. A fototerapia (tratamento com luz ultravioleta) aparece nas diretrizes internacionais, mas o PCDT de 2025 não a inclui para dermatite atópica no SUS.
- Casos graves que não respondem: remédios mais novos, como imunobiológicos, com regras próprias no SUS.
Os detalhes estão em pomada para dermatite atópica, hidratante para dermatite atópica, banho e sabonete e dermatite atópica no SUS. A escolha do tratamento é sempre feita com o dermatologista, o alergista ou o pediatra.

Sinais que pedem atendimento rápido
- Bolhas ou feridinhas redondas que aparecem de repente sobre o eczema, com dor e febre: pode ser eczema herpético, uma infecção pelo vírus do herpes. O PCDT cita essa complicação, que é rara, e a diretriz britânica NICE orienta atendimento no mesmo dia.
- Pele com pus, crostas amareladas, febre ou a pessoa muito abatida: pode ser infecção.
- Olhos vermelhos, com dor ou visão embaçada: procure um oftalmologista. Veja eczema ao redor dos olhos.
- Inchaço nos lábios ou na língua, falta de ar ou vômitos depois de comer algo: é reação alérgica imediata. Ligue 192 (SAMU). Veja também a página sobre anafilaxia.
Não é culpa de ninguém
Dermatite atópica não é falta de higiene, não é "nervoso" e não pega. É uma doença da pele com explicação. O PCDT reconhece o peso que ela tem no sono, no humor e na vida da família, e diz que grupos de apoio ajudam a trocar experiência. Na comunidade do Alergias Brasil você encontra gente que vive a mesma rotina. Se a dúvida é sobre contágio, temos um texto só sobre isso: dermatite atópica é contagiosa?
Fontes
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica (Portaria Conjunta nº 28/2025)
- ASBAI. Dermatite atópica: causas, sintomas e tratamentos
- Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dermatite atópica
- Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Dermatite atópica
- Chu DK et al. Diretriz de dermatite atópica AAAAI/ACAAI 2023. Ann Allergy Asthma Immunol, 2024
- Wollenberg A et al. Diretriz europeia (EuroGuiDerm) de eczema atópico, parte II. J Eur Acad Dermatol Venereol, 2022
- NICE (Reino Unido). Quality statement 7: tratamento do eczema herpético (QS44)
Perguntas frequentes
O que é dermatite atópica na pele?
É uma inflamação crônica da pele, ligada a uma barreira cutânea falha e a uma resposta exagerada do sistema de defesa. A pele fica seca, vermelha e coça muito, com fases de melhora e de crise.
Dermatite atópica e eczema são a mesma coisa?
Eczema é o nome do tipo de lesão: vermelhidão, coceira, descamação e às vezes bolhinhas. Dermatite atópica é a doença que mais causa eczema, por isso também é chamada de eczema atópico. Existem outros tipos de eczema, como o de contato.
Dermatite atópica é contagiosa?
Não. Ela não passa de uma pessoa para outra pelo toque, pela toalha nem pela piscina.
Qual médico trata dermatite atópica?
O pediatra ou o clínico podem começar o cuidado. Casos com dúvida no diagnóstico, moderados a graves ou que não melhoram costumam ser acompanhados pelo dermatologista ou pelo alergista, como prevê o PCDT.
Dermatite atópica tem cura?
Não há um remédio que cure, mas muitas crianças melhoram bastante com o tempo, e o tratamento controla as crises. Explicamos melhor em dermatite atópica tem cura?