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Sinusite alérgica: existe? Rinite ou sinusite

Sinusite alérgica é como muita gente chama a rinite alérgica. Veja a diferença entre rinite e sinusite, quando é infecção e quando procurar o médico.

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Rapaz de olhos fechados apertando a base do nariz, com cara de incômodo
Foto: Towfiqu barbhuiya, via Pexels
Neste texto (6 partes)
  1. Sinusite alérgica existe?
  2. Rinite ou sinusite: como diferenciar
  3. Quando o resfriado vira sinusite
  4. A rinite alérgica pode levar à sinusite?
  5. Quem trata e que exames existem
  6. Sinais de alerta

"Sinusite alérgica" é o nome popular que muita gente dá à rinite alérgica, quando o nariz entupido vem com peso no rosto. Para os médicos, rinite é a inflamação do nariz e sinusite (o nome técnico é rinossinusite) é a inflamação que chega aos seios da face. As duas podem andar juntas, mas a alergia sozinha não dá febre, e a maioria das sinusites agudas vem de resfriado, não de bactéria.

Entender a diferença ajuda a contar ao médico o que está acontecendo e a evitar antibiótico sem necessidade. Vamos por partes.

Sinusite alérgica existe?

Como diagnóstico, quase não se usa esse nome. O que existe:

  • Rinite alérgica: o nariz inflama quando a pessoa respira algo a que é alérgica, como ácaro da poeira, mofo, pelo de animal ou pólen. Dá espirro, coriza clara, coceira e nariz entupido. Veja rinite alérgica: o que é e sintomas.
  • Rinossinusite: a inflamação pega também os seios da face, as cavidades de ar que ficam atrás da testa, das bochechas e ao redor dos olhos. Pode ser aguda (menos de 12 semanas) ou crônica (12 semanas ou mais), segundo o consenso europeu de rinossinusite, o EPOS 2020.

Há um tipo raro, a rinossinusite fúngica alérgica, uma forma de sinusite crônica com pólipos em que o corpo reage a fungos. O V Consenso Brasileiro sobre Rinites explica que ela não deve ser confundida com a rinite alérgica a fungos (mofo). Quem diagnostica é o otorrinolaringologista, com exame e tomografia.

Rinite ou sinusite: como diferenciar

Os sintomas se misturam, e o próprio consenso brasileiro avisa que nariz entupido, olfato diminuído e pressão no rosto aparecem nas duas. Algumas pistas que ajudam na conversa com o médico:

  • Espirros em sequência e coceira (no nariz, nos olhos, no céu da boca) puxam para a rinite alérgica.
  • Febre não é da rinite alérgica. Na tabela do V Consenso Brasileiro sobre Rinites que compara as rinites, a alérgica é a única sem febre.
  • Dor ou pressão no rosto, catarro grosso e cheiro diminuído puxam para a rinossinusite.
  • Tempo e padrão: a rinite alérgica vai e volta com o gatilho (poeira, faxina, gato, época do ano), às vezes por semanas. A sinusite aguda costuma vir depois de um resfriado.
Infográfico rinite alérgica ou sinusite: rinite tem espirros, coceira, coriza clara e não dá febre; sinusite tem pressão no rosto, catarro grosso e olfato diminuído, aguda menos de 12 semanas e crônica 12 semanas ou mais; resfriado que piora depois do 5º dia ou passa de 10 dias pode ser sinusite pós-viral; inchaço ou vermelhidão ao redor do olho, visão dupla, dor de cabeça forte ou rigidez na nuca pedem pronto-socorro
Infográfico: Respiratória · Alergias Brasil

Quando o resfriado vira sinusite

A maioria das sinusites agudas começa com um vírus. Segundo o V Consenso Brasileiro sobre Rinites, vale suspeitar de uma rinossinusite pós-viral quando, no meio do resfriado, os sintomas pioram depois do 5º dia ou duram mais de 10 dias.

Infecção por bactéria é bem menos comum. O EPOS 2020 estima que só 0,5% a 2% dos resfriados terminam numa sinusite bacteriana. O consenso europeu também diz que, na maioria dos casos de sinusite aguda, o antibiótico muda pouco a evolução. Quem decide se há infecção e se o antibiótico faz sentido é o médico, que olha um conjunto de sinais, como febre alta, dor forte de um lado só e piora depois de uma melhora.

Por isso, sinusite não é sinônimo de antibiótico. Se a cada crise de nariz entupido alguém sugere um, vale levar essa dúvida à consulta.

Médica examinando o rosto de uma menina, com as mãos sobre as bochechas, no consultório
Foto: Gustavo Fring, via Pexels

A rinite alérgica pode levar à sinusite?

É uma pergunta que os estudos ainda não fecharam. O V Consenso Brasileiro sobre Rinites resume assim:

  • Para a sinusite aguda, há pouca evidência de que a rinite alérgica seja fator de risco, segundo o EPOS 2020. Um consenso internacional de 2021 diz que a rinite alérgica "contribui" para ela, mas com evidência limitada (nível C).
  • Para a sinusite crônica, a ligação também é discutida. Ela parece mais forte em alguns tipos específicos com pólipos.
  • Rinite alérgica, asma e rinossinusite aparecem muito juntas, porque nariz, seios da face e pulmões são o mesmo caminho do ar.

Na prática, quem tem rinite alérgica e vive com "sinusite" de repetição tem bons motivos para investigar a alergia com o médico. Às vezes a "sinusite" de todo mês é a rinite mal controlada.

Quem trata e que exames existem

  • Alergista: investiga a alergia com a história e o teste de alergia (prick test) ou exame de sangue.
  • Otorrinolaringologista: examina o nariz por dentro (às vezes com uma câmera fina, a endoscopia nasal) e, quando precisa, pede tomografia dos seios da face. O consenso brasileiro diz que a tomografia é útil para doenças dos seios da face, mas não para diagnosticar a rinite alérgica.
  • Pediatra ou clínico: costuma ser a primeira porta.

O tratamento da rinite alérgica e o da sinusite são diferentes, e quem escolhe é o médico. Entre os cuidados que as diretrizes citam para a rinite estão a lavagem nasal com soro e os remédios de uso no nariz. Para a casa, veja autocuidados para rinite alérgica.

Sinais de alerta

Sinusite costuma ser incômoda, não perigosa. Mas o EPOS 2020 lista sinais que pedem atendimento imediato. Procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU) se houver:

  • inchaço ou vermelhidão ao redor do olho;
  • olho "empurrado" para fora, visão dupla ou visão diminuída;
  • dor de cabeça muito forte ou inchaço na testa;
  • rigidez na nuca, confusão, sonolência ou febre alta com mal-estar intenso.

E se a falta de ar ou o inchaço nos lábios aparecer depois de comer algo, de uma picada ou de um remédio, pode ser anafilaxia: 192.

Na comunidade do Alergias Brasil, a gente troca experiência sobre nariz entupido que não passa, consulta com otorrino e alergista e o que perguntar em cada uma.

Perguntas frequentes

Sinusite alérgica tem cura?

O nome "sinusite alérgica" costuma se referir à rinite alérgica, que não tem cura garantida, mas tem controle com tratamento e cuidado com os gatilhos. A sinusite aguda costuma passar. A crônica tem tratamento com o otorrino. Vale conversar com o médico sobre o seu caso.

O que é pior, rinite ou sinusite?

Depende. A rinite alérgica é mais duradoura e mexe com o sono e a rotina. A sinusite aguda incomoda mais por alguns dias, e raramente complica. Sinais como inchaço ao redor do olho, visão dupla ou dor de cabeça muito forte pedem pronto-socorro.

Sinusite alérgica dá febre?

A rinite alérgica não dá febre, segundo o V Consenso Brasileiro sobre Rinites. Se há febre, pode ser resfriado, gripe ou sinusite infecciosa. Vale procurar o médico, principalmente se a febre for alta ou durar.

Sinusite precisa de antibiótico?

Nem sempre. A maioria das sinusites agudas é viral, e o consenso europeu estima que só 0,5% a 2% dos resfriados terminam numa sinusite bacteriana. Quem decide é o médico, depois de avaliar.

Sinusite alérgica é contagiosa?

Alergia não passa de uma pessoa para outra. O resfriado que às vezes vem antes da sinusite é que é contagioso.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.