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Dermografismo: a pele que marca quando você coça

Dermografismo é quando coçar ou arranhar a pele deixa vergões em linha que coçam. Entenda por que acontece, como é investigado e como conviver.

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Desenho de flor que ficou marcado em relevo no braço de uma pessoa com dermografismo
Foto: Lucasvclaro, Domínio público, via Wikimedia Commons
Neste texto (9 partes)
  1. O que é o dermografismo
  2. Como reconhecer
  3. É comum?
  4. O que pode piorar
  5. Como o médico confirma
  6. Como é o tratamento
  7. Dicas para o dia a dia
  8. Quando procurar ajuda urgente
  9. Tem cura?

Dermografismo é quando a pele forma vergões vermelhos e inchados exatamente onde foi coçada, arranhada ou apertada, como se alguém tivesse “escrito” nela. Os vergões coçam e somem sozinhos, sem deixar marca. É o tipo de urticária induzida que mais aparece nos consultórios e, na grande maioria das pessoas, não é perigoso, mas pode incomodar muito no dia a dia.

O nome quer dizer, ao pé da letra, “escrita na pele”. Muita gente descobre por acaso: passa a unha no braço e, minutos depois, o risco aparece em relevo.

O que é o dermografismo

A urticária pode aparecer sem gatilho de fora (espontânea) ou sempre com o mesmo estímulo (induzida). O dermografismo, chamado pelos médicos de dermografismo sintomático (antes também de urticária factícia ou urticária dermográfica), faz parte das urticárias induzidas, como lista o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a diretriz internacional de urticária.

Aqui o gatilho é mecânico: o atrito ou a pressão leve sobre a pele. Células da pele chamadas mastócitos liberam histamina, e aparece o vergão com coceira.

Vale uma diferença: muita gente tem um leve risco vermelho quando a pele é arranhada, sem coceira. O que os médicos chamam de dermografismo sintomático é quando o vergão coça e atrapalha a vida.

Para o panorama de todos os tipos, veja urticária: o que é, tipos e quando é emergência.

Como reconhecer

Sinais típicos do dermografismo:

  • vergões em linha, no traço exato de onde a pele foi coçada ou raspada;
  • coceira que faz a pessoa coçar mais, o que cria mais vergões;
  • marcas onde a roupa aperta ou esfrega: elástico, alça, cinto, gola;
  • aparecem poucos minutos depois do atrito;
  • somem sozinhos, sem deixar mancha.

Como toda urticária, cada lesão é passageira e desaparece sem deixar marcas, como descreve a BVS do Ministério da Saúde. Tirar uma foto logo que o vergão aparece ajuda o médico, porque na consulta ele pode já ter sumido.

É comum?

Não há estudo sobre quantas pessoas têm dermografismo na população brasileira. Num centro de referência em Santo André (SP) que acompanhou 267 pessoas com urticária, 96 tinham urticária induzida, e metade delas (48 pessoas) tinha dermografismo, segundo estudo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia. É dado de um serviço especializado, mas mostra que é o tipo de urticária induzida que mais aparece no consultório.

O dermografismo também pode vir junto com outra forma de urticária. No mesmo estudo, 7 pessoas tinham dermografismo e urticária de pressão ao mesmo tempo, e a diretriz internacional lembra que é comum ter mais de um tipo de urticária crônica ao mesmo tempo. Ela também avisa que o dermografismo forte às vezes é confundido com urticária espontânea, porque até a roupa folgada ou uma coçada sem perceber já fazem aparecer vergões.

O que pode piorar

Infográfico dermografismo: vergões em linha no traço exato de onde a pele foi coçada, que aparecem em minutos, coçam e somem sem deixar mancha. Num centro de Santo André (SP), metade das pessoas com urticária induzida tinha dermografismo. Pioram com roupa apertada, coçar com força, calor, banho quente, álcool e estresse. Ajudam roupa solta, secar sem esfregar, unhas curtas e foto do vergão para o médico. Sozinho não é emergência; inchaço na garganta ou falta de ar: 192
Infográfico: Urticária · Alergias Brasil

O gatilho principal é o atrito. Algumas situações costumam deixar a pele mais reativa:

  • roupas apertadas, etiquetas, tecidos ásperos;
  • coçar com força ou esfregar a toalha;
  • calor e banho muito quente;
  • bebidas alcoólicas;
  • estresse.

A SBD cita calor, bebidas alcoólicas e estresse como fatores que pioram a urticária em geral. Isso não quer dizer que o dermografismo seja “emocional”: o estresse piora, mas não é a causa. Falamos disso em urticária emocional existe?.

Como o médico confirma

O diagnóstico é clínico e costuma ser simples. O médico ouve a história, olha as fotos e pode fazer um teste rápido: passa um objeto liso e sem ponta sobre a pele e observa se, em alguns minutos, aparece o vergão no traço. A diretriz internacional recomenda esse teste de provocação, de preferência medindo o limiar (com que força o vergão aparece), e, se o médico achar preciso, exames de sangue simples, como hemograma e marcadores de inflamação. O consenso da SBD também inclui a pesquisa de urticária induzida entre os exames que podem ser pedidos quando a história sugere.

Pelo mesmo consenso, exames além dos básicos só entram quando a história ou o exame da pele sugerem. Quem decide o que pedir é o médico.

Para a consulta, vale anotar:

  • desde quando os vergões aparecem;
  • onde aparecem mais (cintura, costas, braços);
  • quanto tempo duram;
  • se aparecem também placas sem atrito, em outros lugares;
  • se já teve inchaço nos lábios ou nos olhos.
Braço de criança com vergões em forma de jogo da velha, no teste do dermografismo
Foto: Gzzz, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Como é o tratamento

O tratamento é indicado pelo alergista ou pelo dermatologista. O que as diretrizes descrevem para a urticária, inclusive as induzidas:

  • reconhecer o gatilho e reduzir o atrito no dia a dia;
  • como base, anti-histamínico de segunda geração, o tipo que costuma dar menos sono (diretriz internacional);
  • outras opções, com acompanhamento, quando o controle não vem (consenso da SBD).

A SBD alerta que a automedicação pode atrapalhar o tratamento. E a BVS lembra que remédios de uso local, como pomadas, em geral não são eficazes na urticária.

Dicas para o dia a dia

Pequenos ajustes costumam trazer conforto:

  • roupas mais soltas, de tecido macio, sem etiqueta raspando;
  • secar a pele com toalha, sem esfregar;
  • unhas curtas, para coçar machuque menos;
  • compressa fria quando a coceira aperta, como sugere a BVS;
  • banho morno em vez de muito quente.

São cuidados de conforto. Se a coceira atrapalha o sono, o trabalho ou a escola, converse com o médico: dá para controlar.

Quando procurar ajuda urgente

O dermografismo sozinho não é emergência. Mas se aparecer inchaço na língua ou na garganta, falta de ar, tontura ou desmaio, isso não é dermografismo: ligue 192 (SAMU). Veja os sinais na página de anafilaxia.

Tem cura?

O dermografismo é uma urticária crônica induzida, e a SBD informa que a urticária pode ser controlada em mais da metade dos casos entre seis meses e um ano. Pode melhorar com o tempo, mas não dá para prever quando. Na comunidade do Alergias Brasil, quem tem dermografismo troca dicas de roupa, rotina e consulta.

Perguntas frequentes

O que é dermografismo?

É um tipo de urticária induzida em que coçar, arranhar ou apertar a pele forma vergões vermelhos em linha, que coçam e somem sozinhos.

Dermografismo é perigoso?

Na grande maioria das pessoas, não. É incômodo, mas fica na pele. Se aparecer inchaço na língua, falta de ar ou tontura, é outra situação: ligue 192.

Dermografismo é emocional?

Não. O gatilho é o atrito na pele. O estresse pode piorar a urticária, segundo a SBD, mas não é a causa.

Como saber se tenho dermografismo?

O médico avalia a história, as fotos e pode fazer um teste simples, passando um objeto liso na pele para ver se aparece o vergão. Converse com o alergista ou o dermatologista.

Dermografismo tem cura?

Muitas vezes melhora com o tempo, mas não dá para prever quando. Enquanto isso, o tratamento indicado pelo médico ajuda a controlar a coceira.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.