Neste texto (7 partes)
Alergia a gato é a reação do sistema imune a uma proteína que o gato produz na pele e na saliva, e que gruda no pelo quando ele se lambe. Ela costuma dar espirros, nariz entupido, coceira e olhos vermelhos pouco depois do contato, e em quem tem asma pode disparar chiado e falta de ar. Dá para confirmar com o alergista e, muitas vezes, dá para conversar sobre caminhos antes de pensar em se separar do bicho.
Se você chegou aqui com o coração apertado, achando que vai ter que doar o seu gato, calma: vamos por partes.
O que causa a alergia a gato
O vilão não é o pelo em si. O principal alérgeno do gato se chama Fel d 1. Segundo o V Consenso Brasileiro sobre Rinites, da ASBAI e de outras sociedades médicas, ele é produzido nas glândulas da pele e da saliva e passa para o pelo quando o gato se lambe.
O mesmo consenso explica por que essa alergia é tão difícil de evitar:
- parte do Fel d 1 fica em partículas bem pequenas, que ficam no ar por dias;
- ele viaja na roupa de quem convive com gatos, por isso aparece em casas sem bicho, escolas e outros lugares;
- casas com animal têm muito mais alérgeno do que casas sem animal.
Por isso tem gente que espirra na casa da avó que tem gato, mesmo sem encostar nele.
Sintomas da alergia a gato
Os sinais são os da rinite e da conjuntivite alérgica:
- espirros em sequência;
- nariz escorrendo ou entupido;
- coceira no nariz, na garganta e nos olhos;
- olhos vermelhos, lacrimejando ou inchados;
- vermelhidão ou coceira na pele onde o gato lambeu ou arranhou.
Um detalhe ajuda o médico: com gato e cachorro, a pessoa costuma perceber uma relação rápida entre o contato e os sintomas, o que não acontece tanto com o ácaro, segundo o V Consenso. Anotar quando e onde os sintomas aparecem ajuda muito na consulta.
Em quem tem asma, o contato pode disparar tosse, chiado e aperto no peito. O consenso descreve a sensibilização a gato e cachorro como fator de risco para rinite alérgica e asma. Veja mais em asma alérgica.

Como saber se é mesmo alergia a gato
Muita gente culpa o gato e descobre que a alergia é ao ácaro da poeira, que é o alérgeno mais comum no Brasil. Ou tem as duas. Por isso a confirmação importa.
O alergista junta a sua história com um teste: na pele (prick test) ou no sangue (IgE específica). Teste positivo sozinho não fecha diagnóstico: ele precisa combinar com os sintomas. Veja como é em teste de alergia: prick test.
Vou ter que doar meu gato?
Essa é a pergunta mais doída, e não existe resposta pronta.
O V Consenso é honesto: a medida que mais reduz o alérgeno é não ter o animal em casa, e mesmo assim a quantidade de alérgeno pode levar até seis meses para cair de verdade. Mas o próprio consenso pede que o médico seja sensível, porque separar a família do bicho muitas vezes não é possível.
Quando o gato fica, o consenso cita outras medidas, que ajudam menos, mas ajudam:
- manter o gato fora do quarto de quem tem alergia;
- purificador de ar potente, com filtro HEPA, tomando cuidado para ele não levantar a poeira que já assentou;
- cuidar da casa como um todo (veja autocuidados para rinite alérgica);
- tratar a rinite e a asma com o que o médico indicar.
A decisão é da família, junto com o médico. Ela pesa a intensidade dos sintomas, se há asma, quem tem a alergia (uma criança, um adulto) e o vínculo com o animal. Doar às pressas, sem confirmar a alergia, pode trazer tristeza sem resolver o problema.

Tratamento da alergia a gato
O tratamento é o da rinite e da conjuntivite alérgica, decidido pelo médico: lavagem nasal, antialérgicos, sprays nasais e colírios, conforme o caso. Para a asma, o tratamento da asma.
Em alguns casos, o alergista pode avaliar a imunoterapia, a chamada vacina para rinite. O V Consenso lembra que os extratos de gato e cachorro variam bastante e nem sempre têm os alérgenos mais importantes para cada pessoa, por isso essa conversa é bem individual.
Se em casa o bicho é um cachorro, a história é parecida: veja alergia a cachorro.
E criança que cresce com gato?
É uma dúvida comum de quem está grávida ou tem bebê. O V Consenso diz que a relação é complexa: vários estudos mostram que conviver com animais nos primeiros anos de vida, antes de aparecer sintoma, pode até ajudar a prevenir alergias, mas os resultados não são todos iguais. Quando a criança já tem alergia confirmada ao gato, a história é outra, e vale conversar com o pediatra.
Quando é emergência
Alergia a gato quase sempre fica no nariz e nos olhos. Mas em quem tem asma, o contato pode disparar uma crise. Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro se houver falta de ar forte, dificuldade para falar frases inteiras, lábios ou unhas arroxeados. Veja os sinais em crise de asma.
Na comunidade do Alergias Brasil tem muita gente que convive com gato e alergia ao mesmo tempo. A troca é sobre o que deu certo em casa, sempre com o médico por perto.
Fontes
Perguntas frequentes
Alergia a gato é do pelo?
Não exatamente. O principal alérgeno, o Fel d 1, nasce nas glândulas da pele e da saliva e passa para o pelo quando o gato se lambe. Por isso ele também fica no ar, nos móveis e na roupa.
Alergia a gato tem cura?
Não existe cura garantida, mas existe controle. O médico pode tratar a rinite e a asma e, em alguns casos, avaliar a imunoterapia. Cuidados em casa, como manter o gato fora do quarto, também ajudam.
Dá para desenvolver alergia a gato depois de adulto?
Pode acontecer. A sensibilização a alérgenos pode aparecer em diferentes fases da vida. Se os sintomas começaram de repente perto de gatos, vale levar essa história ao alergista e fazer o teste.
Quem tem alergia a gato pode ter gato?
Muitas famílias convivem com gato e alergia. A decisão depende da intensidade dos sintomas, da presença de asma e do que o médico avaliar. Gato fora do quarto e tratamento da rinite costumam fazer parte do plano.
Alergia a gato pode matar?
Na maioria das pessoas, ela fica no nariz e nos olhos. O risco maior é para quem tem asma, porque o contato pode disparar uma crise. Falta de ar forte ou lábios roxos: ligue 192.