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Alergia a cachorro: sintomas, raças e como conviver

Alergia a cachorro vem de proteínas da pele e da saliva, não só do pelo. Veja sintomas, se existe raça hipoalergênica e o que conversar com o médico.

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Menina abraçando e beijando um cachorro preto em casa
Foto: Helena Lopes, via Pexels
Neste texto (8 partes)
  1. O que causa a alergia a cachorro
  2. Sintomas da alergia a cachorro
  3. Existe cachorro hipoalergênico?
  4. Como saber se é mesmo alergia a cachorro
  5. Quem tem alergia a cachorro pode ter cachorro?
  6. Tratamento da alergia a cachorro
  7. E criança que cresce com cachorro?
  8. Quando é emergência

Alergia a cachorro é a reação do sistema imune a proteínas que o cão solta na pele e na saliva, e que grudam no pelo, no sofá e na roupa. Ela costuma dar espirros, coriza, nariz entupido, coceira e olhos vermelhos depois do contato, e em quem tem asma pode trazer tosse, chiado e falta de ar. Dá para confirmar com teste, e muita família consegue conviver com o cachorro com acompanhamento médico.

Antes de pensar em doar o seu companheiro, vale entender o que acontece e o que a ciência diz.

O que causa a alergia a cachorro

O principal alérgeno do cão tem até nome: Can f 1. Segundo o V Consenso Brasileiro sobre Rinites, da ASBAI e de outras sociedades médicas, os alérgenos de animais domésticos:

  • ficam em partículas pequenas que boiam no ar, mesmo com pouco movimento na casa;
  • viajam na roupa de quem convive com o bicho, por isso aparecem em casas sem cachorro, escolas e ônibus;
  • ficam em quantidade muito maior nas casas que têm animal.

Por isso tem gente que espirra na casa da tia que tem cachorro, mesmo sem encostar nele.

Sintomas da alergia a cachorro

Os sinais são os mesmos da rinite alérgica e da conjuntivite alérgica:

  • espirros em sequência;
  • nariz escorrendo ou entupido;
  • coceira no nariz, na garganta e nos olhos;
  • olhos vermelhos, lacrimejando ou inchados;
  • pele vermelha ou com coceira onde o cachorro lambeu ou arranhou.

O V Consenso lembra que, com cão e gato, a pessoa costuma notar uma ligação rápida entre o contato e os sintomas, o que não acontece tanto com o ácaro. Anotar quando e onde os sintomas aparecem ajuda muito o médico.

Em quem tem asma, o contato pode disparar tosse, chiado e aperto no peito. Veja asma alérgica.

Infográfico alergia a cachorro: o alérgeno Can f 1 vem da pele e da saliva, fica no ar e viaja na roupa; não existe raça comprovadamente hipoalergênica; sintomas no nariz, nos olhos, na pele e chiado em quem tem asma; o que conversar com o alergista; falta de ar forte ou lábios roxos, ligue 192
Infográfico: Respiratória · Alergias Brasil

Existe cachorro hipoalergênico?

É a pergunta que todo mundo faz. A resposta honesta: não há prova de que exista raça hipoalergênica. O V Consenso cita um estudo que mediu o Can f 1 no pelo e nas casas de cães de várias raças: a quantidade varia muito de cachorro para cachorro, mas nenhuma raça pôde ser chamada de hipoalergênica.

Na prática, poodle, shih tzu, bichon ou vira-lata podem dar alergia. Cachorro que solta menos pelo deixa a casa mais limpa, mas a proteína continua lá, na pele e na saliva.

Como saber se é mesmo alergia a cachorro

Muita gente culpa o cachorro e descobre que a alergia é ao ácaro, o alérgeno mais comum no Brasil. Ou tem as duas. A confirmação vem do alergista, juntando a sua história com um teste na pele (prick test) ou no sangue (IgE específica). Teste positivo sozinho não fecha diagnóstico: ele precisa combinar com os sintomas. Veja como é em teste de alergia: prick test.

Quem tem alergia a cachorro pode ter cachorro?

Não existe resposta pronta. O V Consenso é direto: a medida que mais reduz o alérgeno é não ter o animal em casa, e mesmo assim a queda pode levar até seis meses. Mas o próprio consenso pede que o médico seja sensível, porque muitas vezes a família não consegue ou não quer se separar do bicho.

Quando o cachorro fica, o consenso cita medidas que ajudam menos, mas ajudam:

  • cachorro fora do quarto de quem tem alergia;
  • purificador de ar potente, com filtro HEPA, com cuidado para não levantar a poeira que já assentou;
  • cuidar da casa como um todo, como em autocuidados para rinite alérgica;
  • tratar a rinite e a asma do jeito que o médico indicar.

A decisão pesa a intensidade dos sintomas, se existe asma, quem tem a alergia e o vínculo com o animal. Doar às pressas, sem confirmar, pode trazer tristeza sem resolver o problema.

Homem sorrindo deitado no sofá da sala com um cachorro shih tzu no colo
Foto: Helena Lopes, via Pexels

Tratamento da alergia a cachorro

O tratamento é o da rinite e da conjuntivite alérgica, decidido pelo médico: lavagem nasal, antialérgico, spray nasal e colírio, conforme o caso. Para a asma, o tratamento da asma. Veja o que cada um faz em como tratar rinite alérgica.

Em alguns casos, o alergista avalia a imunoterapia. O V Consenso avisa que os extratos de cão e gato variam muito e nem sempre têm os alérgenos que mais importam para cada pessoa, então essa conversa é bem individual.

E criança que cresce com cachorro?

O V Consenso diz que a relação é complexa: vários estudos mostram que conviver com animais nos primeiros anos de vida, antes de aparecer qualquer sintoma, pode até proteger contra alergias, mas os resultados não são iguais em todos os estudos. Se a criança já tem alergia confirmada ao cachorro, a conversa é com o pediatra.

Quando é emergência

Alergia a cachorro quase sempre fica no nariz e nos olhos. Mas, em quem tem asma, o contato pode disparar uma crise. Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro se houver falta de ar forte, dificuldade para falar frases inteiras, lábios ou unhas arroxeados. Veja os sinais em crise de asma.

Se a alergia é ao gato, a história é parecida e está em alergia a gato. Na comunidade do Alergias Brasil tem muita gente que convive com bicho e alergia na mesma casa, e a troca é sobre o que deu certo, sempre com o médico por perto.

Perguntas frequentes

Alergia a cachorro é do pelo?

Não exatamente. As proteínas que dão alergia vêm da pele e da saliva do cão e grudam no pelo. Por isso elas também ficam no ar, no sofá e na roupa.

Qual raça de cachorro não dá alergia?

Não há prova de que exista raça hipoalergênica. O estudo citado pelo V Consenso Brasileiro sobre Rinites mediu o alérgeno em várias raças e viu que a quantidade varia de cão para cão, sem nenhuma raça livre dele.

Alergia a cachorro tem cura?

Não existe cura garantida, mas existe controle. O médico pode tratar a rinite e a asma e, em alguns casos, avaliar a imunoterapia. Cuidados em casa, como manter o cachorro fora do quarto, também ajudam.

Dá para ter alergia a cachorro depois de adulto?

Pode acontecer. A sensibilização a alérgenos pode aparecer em várias fases da vida. Se os sintomas começaram perto de cachorros, vale levar essa história ao alergista e fazer o teste.

Alergia a cachorro dá coceira na pele?

Pode dar vermelhidão e coceira onde o cachorro lambeu ou arranhou. Placas que se espalham pelo corpo, inchaço na boca ou falta de ar pedem atendimento; se for forte, ligue 192.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.